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Os postos de combustível de todo o país terão que usar bombas medidoras criptografadas. A medida ganhou força após a Operação que revelou um esquema de sonegação e lavagem de dinheiro no setor.

A mudança tenta barrar um golpe antigo, mas ainda comum em muitos estabelecimentos, a chamada “bomba baixa”. Nesse esquema, o consumidor paga por uma quantidade maior de combustível, mas recebe menos no tanque. O visor mostra um valor. A entrega real, porém, é menor.

A discussão ganhou força depois da Operação Carbono Oculto. A ação desmontou um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Segundo a Receita Federal, organizações criminosas também atuavam com adulteração de combustíveis e manipulação de bombas.

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Como funciona a nova bomba de combustível inteligente criptografada?

A nova tecnologia foi desenvolvida no Brasil. O sistema cria barreiras digitais contra alterações ilegais nos equipamentos de abastecimento.

Na prática, cada abastecimento recebe uma assinatura digital inviolável, como um carimbo eletrônico. Isso permite rastrear toda a operação e dificulta fraudes escondidas no software da bomba.

Se alguém tentar alterar os dados de abastecimento, o equipamento trava automaticamente. O abastecimento para na hora. Essa resposta imediata chama atenção porque atinge justamente o principal ponto explorado pelas quadrilhas.

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Além disso, a bomba criptografada conta com:

  • monitoramento remoto;
  • memória protegida contra alterações;
  • bloqueio de acesso aos cabos de automação;
  • registro digital de cada abastecimento.

Esses recursos fecham brechas usadas em esquemas clandestinos. Hoje, muitos criminosos manipulam componentes internos sem que o motorista perceba qualquer diferença visual na bomba.

E existe um detalhe importante: o consumidor normalmente só descobre o golpe depois de muito tempo, quando percebe um rendimento abaixo do esperado no veículo.

Equipamentos já começaram a aparecer nos postos

Embora a obrigatoriedade só entre em vigor em 2029, alguns postos já instalaram o novo modelo.

Em São Paulo, por exemplo, 209 postos utilizam bombas antifraude. Ao todo, existem 539 novas bombas inteligentes certificados e instalados no estado. Os endereços podem ser consultados no site do Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo, o Ipem-SP.

A troca, porém, ainda enfrenta resistência no setor. O motivo passa pelo custo.

As bombas criptografadas custam entre 20% e 30% mais do que os modelos tradicionais. Mesmo assim, entidades ligadas ao segmento discutem formas de facilitar a substituição gradual dos equipamentos.

O debate envolve fabricantes, distribuidores e donos de postos. Afinal, a adaptação exige investimento alto, principalmente para pequenos empresários.

Tecnologia não resolve todas as fraudes

Apesar do avanço, as novas bombas não eliminam todos os problemas do setor.

A adulteração do combustível, por exemplo, continua fora do alcance do equipamento. Nesses casos, a fiscalização segue sob responsabilidade da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP.

Ou seja, a tecnologia combate a fraude na medição do abastecimento, mas não impede misturas ilegais na gasolina ou no etanol vendidos ao consumidor.

Esse ponto preocupa especialistas porque muitos motoristas confundem as duas situações. Uma fraude altera a quantidade entregue. A outra mexe na qualidade do combustível.

Como evitar golpes ao abastecer

Enquanto as bombas criptografadas ainda são minoria nos postos brasileiros, motoristas precisam redobrar a atenção.

Alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de cair em fraudes:

  • desconfie de preços muito abaixo da média;
  • evite promoções com pagamento apenas em dinheiro;
  • confira o selo do Inmetro ou do Ipem na bomba;
  • peça sempre a nota fiscal;
  • solicite o teste da medida-padrão de 20 litros em caso de suspeita.

Esse teste é obrigatório nos postos e comprova se a bomba entrega a quantidade correta de combustível.

Pode parecer exagero pedir a verificação. Mas, diante dos bilhões movimentados pelas fraudes descobertas pela Receita Federal, muitos consumidores passaram a olhar o abastecimento com mais desconfiança.

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Jerffeson Leone

Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.