PUBLICIDADE

Uma discussão ganhou força no mercado de trabalho brasileiro nos últimos dias, o possível fim da escala 6×1. O tema avança no Congresso e já provoca reações intensas entre trabalhadores, empresas e especialistas, que apontam efeitos diretos na economia.

Congresso avança com propostas sobre jornada de trabalho

Na última semana, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara deu um passo relevante. O colegiado aprovou o relatório do deputado Paulo Azi, do União Brasil da Bahia, que considera admissíveis duas propostas de emenda à Constituição sobre o tema. As PECs seguem agora para novas etapas de tramitação.

Enquanto isso, o governo federal acelera o debate. A redução da jornada de trabalho entrou na lista de prioridades do Executivo, que enviou um projeto com urgência constitucional. Mesmo assim, o texto ainda não tem data para avançar no Legislativo, o que mantém o cenário indefinido.

PUBLICIDADE

Especialistas ouvidos pela CNN Money afirmam que os impactos vão depender diretamente do modelo aprovado. Hoje, existem caminhos diferentes em discussão.

De um lado, uma proposta prevê jornada de 36 horas semanais, com escala 4×3. De outro, o projeto do governo sugere 40 horas semanais no formato 5×2. A diferença parece técnica, mas muda toda a dinâmica de setores inteiros.

Profissões com menor impacto com fim da escala 6×1

Algumas categorias, porém, devem sentir pouco ou nenhum efeito. Isso ocorre porque já operam com jornadas reduzidas por lei. É o caso de:

PUBLICIDADE
  • Bancários, com carga de 30 horas semanais
  • Teleatendentes, com 36 horas
  • Trabalhadores de minas de subsolo, também com 36 horas

Esses profissionais já atuam fora do padrão das 44 horas, o que reduz o impacto de qualquer mudança.

Além disso, as novas regras, se aprovadas, devem atingir apenas trabalhadores contratados pelo regime CLT. Ficam de fora:

WhatsApp Receba no WhatsApp as principais notícias
Entre no grupo
  • Profissionais informais
  • Autônomos
  • Prestadores via Pessoa Jurídica
  • Motoristas de aplicativo
  • Servidores públicos

Setor corporativo já opera em modelo semelhante

Outro grupo que tende a manter a rotina atual está no setor corporativo. Áreas administrativas e de escritório já operam, em muitos casos, na escala 5×2, com flexibilidade e modelos híbridos.

Entre essas funções estão:

  • Recursos Humanos
  • Tecnologia e TI
  • Jurídico
  • Financeiro
  • Marketing
  • Consultores e analistas
  • Gestores com foco em entregas

Serviços essenciais seguem com escala contínua

Por outro lado, existem atividades que não podem parar. Serviços essenciais devem continuar com escalas contínuas, inclusive com trabalho aos fins de semana e feriados.

Nesse grupo estão:

  • Profissionais da saúde
  • Segurança pública e privada
  • Energia
  • Saneamento
  • Telecomunicações

Essas áreas dependem de operação ininterrupta, o que exige revezamento constante de equipes.

Setor de serviços pode sentir maior impacto com o  fim da escala 6×1

Já em setores com forte presença de trabalho presencial, o impacto pode ser maior. Restaurantes, comércios e pequenos negócios entram nesse radar.

A lógica é prática. Diferente de empresas digitais, que crescem com tecnologia, negócios físicos precisam de pessoas para funcionar. Mais clientes exigem mais funcionários.

Com a redução da jornada, empresários podem enfrentar dois caminhos, contratar mais ou reduzir o horário de funcionamento.

Esse movimento tem custo. Estimativas apontam aumento de até 7% na folha de pagamento. E isso abre outra frente de preocupação.

Empresas podem acelerar a automação para compensar gastos. Caixas automáticos, sistemas digitais e inteligência artificial já fazem parte dessa transição.

O resultado pode incluir menos contratações formais e mais modelos alternativos, como terceirização e contratos PJ.

No fim, o debate vai além da jornada. Cada setor terá que encontrar seu próprio equilíbrio, seja ampliando equipes, investindo em tecnologia ou negociando novas condições coletivas.

Compartilhar.
Jerffeson Leone

Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.