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Série Especial | Saúde em Colapso | Episódio 1 | Relatos de pacientes e acompanhantes revelam um cenário preocupante no Hospital Municipal de Simões Filho. Sob a gestão da empresa S3 Gestão em Saúde, contratada pela Prefeitura de Simões Filho, a unidade acumula críticas por falhas e péssimo atendimento.

A troca de administração do Hospital, feita pelo prefeito Del Soares, veio acompanhada de promessas de melhoria. No entanto, quem depende do serviço relata outra realidade. Demora, desorganização e medo de procurar a unidade ainda fazem parte da rotina.

Esta reportagem abre uma série especial sobre os principais problemas da rede pública de saúde no município.

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Gestantes evitam atendimento na cidade

Muitos pacientes têm evitado procurar o Hospital Municipal de Simões Filho por medo da demora e da qualidade do atendimento.

Entre os casos mais sensíveis, estão os relatos de mulheres grávidas. A insegurança tem levado muitas a buscar atendimento fora do município.

A moradora de Simões Filho, Maria Eduarda, de 23 anos, descreveu a experiência após procurar o hospital no dia 27 de março:

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“Uma vergonha. O prefeito não liga para melhorar o atendimento. Se não funciona, por que continua aberto? Muita gente deixa de ter seus filhos aqui e vai para Salvador. Eu mesma prefiro ir para lá do que voltar nesse hospital.”

O depoimento evidencia um movimento preocupante. Moradores deixam de confiar na rede local e recorrem a outras cidades, mesmo com custos e deslocamento.

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Esse tipo de decisão não acontece por acaso. Ela nasce da repetição de experiências negativas.

Quem não tem condições recorre ao hospital mesmo diante da incerteza

Nem todo mundo tem essa opção de procurar atendimento em outras cidades. Sem condições de se deslocar ou pagar por atendimento fora, muitos moradores acabam indo mesmo assim ao hospital da cidade. É uma escolha feita pela necessidade.

Quem chega à unidade já vai com desconfiança. Em alguns casos, o atendimento acontece rápido. Em outros, a espera é longa e sem previsão.

“A gente chega aqui sem saber quanto tempo vai esperar. Esse hospital poderia nos dar um atendimento melhor, de qualidade. Eu só venho porque não tem jeito”, contou um acompanhante, que pediu sigilo da fonte por temer represálias.

A incerteza é o que mais preocupa. Pacientes passam horas aguardando. Em algumas situações, o estado de saúde piora durante esse tempo.

Contrato de R$ 89 milhões não reflete melhora no serviço

A mudança na gestão do Hospital Municipal de Simões Filho foi apresentada pela Prefeitura como uma medida para reorganizar o sistema de saúde e melhorar o atendimento à população. Até então, a unidade era administrada pela Fabamed. Com a troca, a gestão passou para a S3 Gestão em Saúde, que já está há mais de 100 dias à frente do hospital.

O novo contrato de 2 anos inclui também o Ambulatório de Especialidades Dr. Sérgio Macedo, ampliando a responsabilidade da empresa sobre parte significativa da rede municipal.

O valor do contrato chama atenção:

  • Valor total do contrato: R$ 89,2 milhões
  • Repasse mensal da prefeitura: cerca de R$ 3,7 milhões

Apesar do investimento elevado, os relatos não indicam avanço. Pelo contrário, muitos pacientes afirmam que o atendimento piorou nos últimos meses.

UPA 24h enfrenta superlotação constante

Muitos pacientes têm evitado procurar o Hospital Municipal por falta de confiança no atendimento. Com isso, a UPA 24h do CIA passou a receber mais pessoas. O resultado aparece rapidamente: superlotação.

A estrutura não comporta o número de atendimentos diários. A unidade, que deveria atender casos de menor complexidade, virou porta de entrada para diferentes tipos de urgência. Com isso, o tempo de espera aumenta. E o desgaste das equipes também.

UPA confirma pressão acima da capacidade

A própria gestão da UPA reconhece o problema. Em nota oficial emitida na última semana, a administração afirmou que a unidade trabalha sob forte pressão. Segundo o comunicado, a taxa de internação supera a capacidade instalada. Isso exige adaptações constantes na operação.

“A administração da UPA 24h de Simões Filho informa que a unidade vem operando sob elevada pressão assistencial, com taxa de internação superior à capacidade instalada, o que tem exigido readequações operacionais contínuas para assegurar a continuidade do atendimento à população”, diz o comunicado.

Ouro trecho da nota detalha a situação: “Pacientes em observação permanecem aguardando disponibilização de leito, inclusive com utilização de áreas de apoio assistencial”, diz trecho da nota.

Na prática, isso indica uma unidade no limite. Sem leitos disponíveis, os pacientes permanecem em observação por mais tempo. O impacto aparece no atendimento e no conforto.

Falhas no hospital aumentam pressão na UPA

A crise não acontece de forma isolada. Existe um efeito em cadeia. Quando o Hospital Municipal não consegue absorver atender com qualidade, a pressão recai sobre a UPA. O fluxo aumenta, a estrutura fica sobrecarregada e o sistema inteiro sente.

Postos de Saúde não cumprem seu papel

O cenário atual aponta para um problema também estrutural. Não se trata apenas de uma unidade específica.

Especialistas indicam que a falta de atenção básica eficiente contribui para o colapso. Muitos pacientes recorrem diretamente à urgência por não conseguirem atendimento nos postos de saúde.

Isso gera um acúmulo:

  • Mais pessoas na UPA
  • Mais pressão no hospital
  • Menor qualidade no atendimento
  • O sistema trava. E a fila cresce.

Risco à saúde e perda de confiança

A demora no atendimento vai além do desconforto. Em muitos casos, ela representa risco real.

  • Diagnósticos podem atrasar. Tratamentos também.
  • Situações simples evoluem para quadros mais graves. E isso pode ser evitado com atendimento rápido.
  • Além do impacto clínico, existe um efeito menos visível, mas igualmente grave: a perda de confiança.
  • Quando a população deixa de acreditar no serviço público, ela busca alternativas. Nem sempre acessíveis.
    Isso amplia desigualdades e fragiliza ainda mais o sistema.

Falta de resposta da Prefeitura de Simões Filho e da S3 Gestão, responsável pela administração do Hospital Municipal

O N1N entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Simões Filho, buscando um posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde. Como tem ocorrido com frequência, o órgão não respondeu.

A falta de retorno já se tornou rotina. A Prefeitura de Simões Filho conta com uma assessoria que não responde aos questionamentos da imprensa, o que reforça a percepção de omissão diante dos problemas apontados.

O N1N também entrou em contato com a S3 Gestão em Saúde. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

A ausência de posicionamento chama atenção. Em momentos de crise, a comunicação clara e transparente é fundamental.

O espaço permanece aberto para manifestação de todos os órgãos citados na matéria.

Série especial vai aprofundar problemas

Esta é a primeira reportagem de uma série que investiga a saúde pública em Simões Filho.

No próximo conteúdo, serão analisados outros pontos críticos: falta de medicamentos nas farmácias básicas, levando pacientes a terem que comprar remédios.

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Jerffeson Leone

Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.

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