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Arielson da Conceição Santos, acusado de matar a líder quilombola Maria Bernadete Pacífico, está sendo julgado. Ele confessou o crime e contou como tudo aconteceu.

O crime ocorreu em agosto de 2023 e chocou o país. Mãe Bernadete morreu com 25 tiros dentro da própria casa, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Ela estava com três netos no momento do ataque.

Além de Arielson, outras quatro pessoas também respondem pelo caso e serão julgadas separadamente. O processo contra elas segue em outra etapa.

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O júri

Logo no início do júri, dois agentes de segurança pública apresentaram detalhes da apuração. Eles explicaram como chegaram aos nomes dos suspeitos e descreveram as provas reunidas ao longo da investigação.

Segundo os depoimentos, publicados pela Revista Afirmativa, Arielson, conhecido como “Buzuim”, e Josevan Dionísio, chamado de “BZ”, aparecem como autores dos disparos que mataram a líder quilombola.

A Polícia Civil também detalhou a dinâmica do crime. De acordo com os investigadores, os suspeitos frequentavam um bar dentro da comunidade. O local, segundo o inquérito, funcionava sob controle de pessoas ligadas aos réus.

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Moradores reclamavam do bar por causa do som alto e das festas constantes. Mãe Bernadete recebeu essas queixas e levou o caso à polícia. Esse movimento incomodou o grupo. Para os investigadores, conforme divulgado pela Revista Afirmativa, a denúncia levou à decisão de matar a líder.

Arielson confessa crime e conta sua versão

Ao prestar depoimento  no julgamento, Arielson apresentou uma narrativa diferente em alguns pontos. Segundo publicação da Revista Afirmativa, o próprio Arielson afirmou que tinha problemas com Mãe Bernadete.

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De acordo com o relato do acusado, a líder não aceitava sua presença no quilombo e teria tomado medidas para impedir seu acesso à comunidade, além de acionar a polícia em algumas ocasiões para retirá-lo do local.

Diante desse cenário, Arielson contou que resolveu procurar Josevan. Segundo ele, a intenção era apenas dar um susto na vítima. O réu afirmou que não planejou o assassinato e que não estava armado no momento.

Durante o depoimento, Arielson atribuiu a Josevan a responsabilidade pela maior parte dos disparos. Segundo sua versão, o comparsa teria levado as armas e efetuado a maioria dos tiros.

“Eu errei, não era pra ter feito isso com ela. Era só pra dar um susto porque ela não me queria lá”, disse. A declaração foi publicada pela Revista Afirmativa.

Filho de Mãe Bernadete rebate: “Deram 25 tiros ‘para dar um susto’? Imagina se fosse para matar”

Durante uma pausa da sessão, Jurandir Pacífico, filho de Mãe Bernadete, e rebateu a versão apresentada pela defesa. A declaração veio em tom de indignação. Ele não escondeu a revolta ao comentar a tese de que a ação não teve intenção de matar.

“Disseram que foram lá só pra dar um susto na minha mãe. Mas deram 25 tiros. Imagine se fosse pra matar, quantos tiros seriam?”, questionou.

O advogado assistente da família de Mãe Bernadete, Hédio Silva Júnior, disse que o processo reúne um conjunto de provas considerado consistente. Ele citou elementos como testemunha ocular, perícia técnica, interceptações telefônicas e rastreamento de antenas telefônicas. “Estou muito seguro de que nós teremos condenação”, afirmou.

Neto de Mãe Bernadete contou um detalhe novo

O júri também ouviu Wellington Gabriel de Jesus dos Santos, neto da vítima. Emocionado, ele descreveu o que viveu no dia do crime.

Ele contou que homens armados invadiram a casa e o mantiveram em um quarto. De lá, ouviu os disparos. Depois, encontrou a avó sem vida, com o rosto desfigurado.

Segundo Wellington, Mãe Bernadete acreditou que se tratava de um assalto. Ele relatou que ouviu a avó dizer que os criminosos poderiam levar o que quisessem. O depoimento trouxe silêncio ao plenário. A cena descrita expôs a brutalidade da ação.

Julgamento segue com debates

O júri popular continua nesta terça-feira, dia 14. O processo entra agora na fase de debates entre acusação e defesa.

Os promotores vão sustentar a denúncia com base nas provas apresentadas. Já os advogados dos réus devem contestar a versão da investigação e os depoimentos.

Após essa etapa, os jurados se reúnem para decidir o destino de Arielson. A sentença deve sair ainda nesta fase do julgamento.

Enquanto isso, os outros acusados aguardam julgamento.

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