O governo federal vai autorizar um novo saque do saldo residual do FGTS para trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa. A medida aparece em uma nova medida provisória, que também reformula o programa Desenrola Brasil. A publicação está prevista para esta segunda-feira à noite.
Segundo o Ministério do Trabalho, a iniciativa deve movimentar R$ 7,7 bilhões na economia. O valor será liberado até 26 de maio de 2026. A expectativa é alcançar milhões de trabalhadores que hoje têm recursos bloqueados no fundo.
Esse movimento ocorre em meio à tentativa do governo de aliviar o endividamento das famílias. E, nesse cenário, o FGTS volta ao centro da estratégia.
Uso do FGTS para pagar dívidas ganha reforço
Além do saque residual, o texto amplia o uso do FGTS para quitar débitos. O trabalhador poderá usar até 20% do saldo disponível ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor. O dinheiro poderá abater dívidas em atraso, como:
- cartão de crédito
- cheque especial
- crédito pessoal
De acordo com o Ministério da Fazenda, cerca de R$ 8,2 bilhões devem sair das contas do FGTS para esse tipo de pagamento. A ideia é reduzir a pressão sobre famílias endividadas e, ao mesmo tempo, estimular o consumo.
Novo Desenrola amplia alcance
O Ministério do Trabalho detalhou que o Novo Desenrola amplia a negociação de dívidas e integra o uso do FGTS como ferramenta central. O programa combina dois pontos principais:
liberação de R$ 7,7 bilhões em saldo bloqueado do FGTS
uso de até R$ 8,2 bilhões para quitar dívidas
A proposta inclui mudanças na medida provisória editada no fim de 2025. Na época, o governo já havia autorizado saques para trabalhadores demitidos entre 2020 e 2025 que optaram pelo saque-aniversário.
Agora, a nova etapa amplia esse alcance. Mais de 10,5 milhões de trabalhadores devem receber valores diretamente nas contas cadastradas no aplicativo FGTS.
O que continua bloqueado
Apesar da liberação, nem todo o saldo ficará disponível. Valores já comprometidos com instituições financeiras seguem bloqueados. Isso ocorre nos casos em que o trabalhador antecipou parcelas do saque-aniversário.
Nessas situações, os bancos continuam com o direito de receber os valores, conforme os contratos firmados. Ou seja, o dinheiro liberado respeita acordos já existentes.
Esse detalhe mantém a segurança das operações financeiras e evita mudanças nas regras já assinadas entre cliente e banco.





