Salário Mínimo Baiano de R$ 1.800: O que aconteceu com a proposta seis meses depois?

Entenda o que aconteceu com a proposta apresentada no início do ano.

Equipe N1N
Por
Equipe N1N
O Núcleo Editorial N1N é a equipe responsável pela apuração, produção, edição, revisão e atualização das reportagens publicadas no portal. O conteúdo é desenvolvido com base...
4 minutos de leitura
Foto: (Portal N1N)
Nos adicione às suas fontes preferidas e receba notícias
Ouvir notícia
Pronto para ouvir
Continua depois da publicidade

Apresentada em fevereiro deste ano, a proposta que sugere a criação do “Salário Mínimo Baiano” no valor de R$ 1.800 completou seis meses desde a sua formulação. A iniciativa, de autoria do deputado federal Leo Prates (PDT-BA), propõe que a Bahia adote um piso salarial regional superior ao mínimo nacional vigente, atualmente fixado em R$ 1.621.

Mas em que fase está o projeto agora? Para entender o andamento, é preciso observar como funciona a legislação sobre o tema.

Continua depois da Publicidade

Como deputados federais não possuem competência legal para criar leis estaduais, a proposta tramitou na Câmara dos Deputados em Brasília sob o formato de “Indicação” (INC 95/2026). Isso significa que o texto funciona como um ofício formal com uma sugestão técnica. Em março, a Câmara concluiu sua parte no processo e despachou o documento oficialmente para o Governo da Bahia.

Desde então, a proposta está sob a posse do Executivo baiano para análise. A criação de um salário mínimo regional é uma medida econômica complexa, que exige estudos aprofundados sobre o impacto nas contas públicas, na folha de pagamento de empresas locais e na manutenção de empregos.

Continua depois da Publicidade

O caminho da proposta na Bahia

Para que o valor de R$ 1.800 saia do papel e passe a valer no estado, o trâmite depende exclusivamente de uma iniciativa do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Cabe à equipe técnica e econômica do governo estadual realizar os estudos de viabilidade.

Caso a gestão conclua que o estado tem condições de absorver o novo piso sem gerar desequilíbrio fiscal, o Executivo precisará redigir um Projeto de Lei próprio e enviá-lo para votação na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Somente após aprovação dos deputados estaduais é que a medida entra em vigor.

O que aconteceu com a proposta?

  • 19 de fevereiro: a Indicação (INC 95/2026) foi apresentada na Câmara dos Deputados.
  • 4 de março: a Mesa Diretora determinou a publicação e o encaminhamento do documento.
  • 9 de março: a proposta teve sua última movimentação registrada, com recebimento pela 1ª Secretaria da Câmara.
  • Depois disso: não houve novas movimentações na página oficial de tramitação.
  • Objetivo da indicação: sugerir ao Governo da Bahia estudos sobre a criação de um piso regional de R$ 1.800.

O modelo proposto para o “Salário Mínimo Baiano”

O formato sugerido para a Bahia se espelha no modelo já adotado pelo Rio Grande do Sul. No estado gaúcho, o salário mínimo regional não é um valor único, mas é dividido em diferentes faixas salariais reajustadas anualmente, variando de acordo com a categoria profissional:

Continua depois da Publicidade
  • Faixa 1 (R$ 1.789,04): Agricultura, pecuária, empregados domésticos, construção civil e motoboys;
  • Faixa 2 (R$ 1.830,23): Indústrias do vestuário e calçados, serviços de saúde e telemarketing;
  • Faixa 3 (R$ 1.871,75): Indústrias de alimentação, mobiliário e comércio em geral;
  • Faixa 4 (R$ 1.945,67): Indústrias metalúrgicas e gráficas, vigilantes e auxiliares de administração escolar;
  • Faixa 5 (R$ 2.267,21): Trabalhadores técnicos de nível médio.

Se a Bahia adotar um formato semelhante, profissionais de diferentes setores teriam garantias salariais específicas, todas acima do piso estipulado pelo governo federal.

Atualmente, além do Rio Grande do Sul, a prática do piso regional também já é uma realidade em estados como Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. O avanço da medida na Bahia agora depende da maturação técnica do projeto pelas secretarias estaduais.

Compartilhe esta notícia
Jerffeson Leone é jornalista, editor e especialista em jornalismo digital, com experiência em televisão e portais de notícias. Atuou na Rede Internacional de Televisão (RIT) e no Portal Informe Brasil, desenvolvendo trabalhos em câmeras, produção, reportagem e gestão editorial.
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *