Uma mulher foi presa na tarde da última quarta-feira, 11 de fevereiro, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Ela é apontada como principal suspeita de matar o empresário Edmácio Azevedo de Azuis, de 51 anos, conhecido como China. O crime aconteceu em 22 de abril do ano passado e teve grande repercussão em Feira de Santana.

Morando em Simões Filho, a investigada caminhava tranquilamente pelo Centro da cidade. Fazia compras, visitava agência bancária, seguia a rotina como se nada tivesse ocorrido. Ela, porém, não sabia que havia um mandado de prisão em aberto contra ela pelo crime de homicídio.
Ela também não contava com as câmeras do Sistema de Reconhecimento Facial da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, SSP-BA. O sistema identificou a suspeita e emitiu alerta automático.
De acordo com a 22ª Companhia Independente da Polícia Militar, o Cicom acionou a equipe após o reconhecimento. Os policiais localizaram a mulher dentro de uma agência da Caixa Econômica Federal, onde realizava um saque. Os militares confirmaram a identidade e a conduziram à delegacia.

Como o crime aconteceu? Delegado conta os detalhes
A mulher foi identificada pelas iniciais I.J.L.S e está sendo acusada de matar o empresário Edmácio Azevedo de Azuis, de 51 anos, proprietário de uma academia no bairro Gabriela, em Feira de Santana.
Em entrevista a Rádio Sociedade News FM, o delegado Gustavo Coutinho, titular da Delegacia de Homicídios, contou os detalhes do assassinato do empresário Edmácio.
“Ele foi encontrado morto por um de seus filhos, ele estava nu em cima de uma cama e apresentava cinco tiros. Foram três que atingiram a região do peito, um na cabeça e um em uma das mãos”, afirmou o delegado.

Três dias após o crime, a suspeita se apresentou espontaneamente na delegacia, acompanhada de advogado, e confessou o homicídio, alegando legítima defesa. Sobre esse momento, Coutinho explicou: “Ela se apresentou de forma espontânea, confessou o crime, alegou legitima defesa, que estava sendo ameaçada e tal, e como não havia prisão preventiva decretada e também não havia um flagrante, a polícia não podia segurar ela e manter ela presa. Então ela foi para casa e logo em seguida nós representamos pela prisão preventiva, mas ela acabou fugindo”.
Investigação aponta premeditação
De acordo com a investigação, a mulher relatou que mantinha um relacionamento amoroso com a vítima e decidiu encerrá-lo. Segundo a versão apresentada por ela, passou a sofrer ameaças e marcou um encontro com o empresário para tentar convencê-lo a aceitar o fim da relação.
“Ela disse que marcou esse encontro com o intuito de convencer ele a desistir realmente do relacionamento e deixar ela em paz. E nesse encontro, ela, inclusive, levou alguns comprimidos de Clonazepam para dopar ele caso ele ficasse agressivo e depois assassinar. E como de fato foi feito”, detalhou o delegado.
Ainda conforme a polícia, após ingerirem bebida alcoólica e manterem relação, o empresário passou mal, tomou banho e adormeceu. Foi nesse momento que os disparos foram efetuados. “Ele já estava desacordado, estava dormindo no momento que foi morto por ela. Após isso ela saiu, fugiu do local, as câmeras de segurança na rua flagraram ela fugindo, desesperada com a arma na mão”, acrescentou Coutinho.
A suspeita sabia manusear arma de fogo porque trabalhava como agente de segurança patrimonial. Após reunir provas e ouvir testemunhas, a polícia representou pela prisão preventiva. “Posteriormente a polícia se apresentou pela prisão preventiva, mas aí ela encontrasse foragida, permanece foragida durante um ano, se escondeu em vários estados e foi encontrada na data de ontem (11), na cidade de Simões Filho”, confirmou o delegado.
O que acontece agora
Após a prisão, as autoridades transferiram a suspeita para Feira de Santana. Ela permanece custodiada no Complexo do Sobradinho. Na próxima quarta-feira, 18, a polícia deve encaminhá-la ao Presídio Regional de Feira de Santana.
O inquérito será concluído em até dez dias e seguirá para o Ministério Público. A expectativa da polícia é de que o órgão ofereça denúncia, já que a investigada confessou o crime e os elementos colhidos indicam planejamento prévio. O caso agora entra na fase judicial. A Justiça decidirá os próximos passos.




