Cuidado redobrado nos caixas eletrônicos. Uma quadrilha especializada em mirar aposentados do INSS e outros idosos já acumula uma conta assustadora, um prejuízo que ultrapassa os R$ 7 milhões pelo país. O grupo agia de forma itinerante, viajando semanalmente para novas regiões, sempre com o mesmo objetivo: encontrar a próxima vítima.
O foco principal deles era abordar os aposentados justamente no momento em que estavam usando os terminais bancários, muitas vezes dentro de supermercados e shoppings. A tática é sempre ganhar a confiança da vítima primeiro, antes de aplicar o golpe.
Como funciona o golpe contra aposentados
A abordagem dos criminosos era muito bem ensaiada e seguia um roteiro para enganar e roubar.
A farsa da ‘atualização de chip’: Em cada cidade, o modus operandi era o mesmo. Os suspeitos se aproximavam dos idosos oferecendo ajuda. A desculpa variava, mas geralmente envolviam supostas “atualizações de chip” ou alegavam falsas “operações pendentes” no sistema bancário.
Enquanto a vítima se distraía com a suposta ajuda, acontecia a parte crucial do golpe. Os criminosos, com muita agilidade, substituíam o cartão por um inválido ou cancelado, sem que o idoso percebesse a troca.
Esse era o tempo que a quadrilha precisava para captar dados bancários desses idosos. Eles chegavam a filmar ou memorizar senhas, além de pegar todos os dados dos cartões e informações pessoais para usar depois.
Como o dinheiro era desviado
Assim que conseguiam os dados e os cartões, a quadrilha corria contra o tempo para a subtração de valores. O prejuízo acontecia de duas maneiras principais.
Compras e pagamento de boletos
Primeiro, eles saíam para fazer compras de alto valor em lojas, usando tanto o débito quanto o crédito dos cartões roubados.
Mas não parava por aí. A segunda frente era o pagamento de boletos bancários em casas lotéricas. O detalhe é que os próprios criminosos emitiam esses boletos.
O dinheiro, nesse caso, ia para os chamados “conteiros”. Esse “conteiro” é a pessoa que disponibilizava sua conta bancária de propósito para receber os valores desviados. Claro, em troca de uma “comissão”, um percentual sobre o montante que caía na conta.
Flagrantes e vítimas no Distrito Federal
A atuação do grupo foi devastadora em várias regiões, e o Distrito Federal sofreu bastante. A suspeita é que, só na capital, o prejuízo passe de R$ 500 mil.
Segundo a PCDF, a quadrilha esteve no DF em três momentos específicos este ano: em abril, maio e junho.
Pelo menos 19 ocorrências foram registradas denunciando esse mesmo golpe. O rastro de vítimas se espalha por diversas regiões, como Águas Claras, Vicente Pires, Cruzeiro, Asa Sul, Asa Norte e Lago Sul.
Câmeras registraram os golpes
A frieza dos golpistas é tanta que câmeras de segurança no DF flagraram os criminosos aplicando o golpe em plena luz do dia, em três ocasiões diferentes.
Em um dos vídeos, os suspeitos aparecem aplicando o golpe em um homem no Supermercado Ultrabox, em Vicente Pires.
Um segundo flagrante mostra os suspeitos com um idoso no caixa eletrônico do supermercado Veneza, no Cruzeiro Novo.
O terceiro momento é talvez o mais claro, mostrando dois suspeitos enganando uma mulher em um Shopping, em Águas Claras. Nessas imagens, é possível ver nitidamente um homem posicionado atrás da mulher, tentando filmar ela digitando os dados do cartão no caixa.





