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O governo Lula está de olho no Vale-alimentação e Vale-refeição e prepara uma mudança que pode mexer (e muito!) com a vida de todo mundo: de quem usa o benefício, do dono do restaurante e até das grandes empresas de cartão.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para assinar um decreto que promete mudar de forma significativa o funcionamento do vale-refeição (VR) e do vale-alimentação (VA) no Brasil. A medida está em fase final de alinhamento com os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Luiz Marinho (Trabalho) e deve ser anunciada até o fim de agosto.

Vamos direto ao ponto: o que vai mudar? Basicamente, duas coisas que tiram o sono de qualquer dono de restaurante ou mercadinho de bairro: as taxas altas e a demora para receber o dinheiro. Também vamos explicar sobre a proposta de pagamento do Vale-alimentação e Vale-refeição via Pix direto na conta do trabalhador.

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O que é a MDR?

A MDR é a taxa que bares, restaurantes, padarias e supermercados pagam quando recebem compras feitas por cartões de VR ou VA. Essa taxa, que hoje não possui limite legal, varia bastante: pode ir de 3% até 10% em alguns casos.

A tal da “mordida” em cada transação

Toda vez que você passa seu VR ou VA, o estabelecimento paga uma taxa para a operadora do cartão. Essa taxa, chamada de MDR (Merchant Discount Rate), hoje não tem limite. É a lei da selva: as empresas de benefícios (como Alelo, Sodexo, Ticket, etc.) cobram o quanto querem, com taxas que podem ir de 3% a até absurdos 10%.

O problema é que essa conta acaba sobrando, de um jeito ou de outro, para o consumidor.

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O que o governo quer fazer? A proposta é botar um freio nisso: um teto de 3,5% na taxa. Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a ideia é trazer “justiça ao sistema”, principalmente para os pequenos comerciantes que não têm poder para negociar taxas menores.

 

Dinheiro na mão, mas só depois de um mês…

Outro ponto que irrita os comerciantes é a demora para receber. Imagine vender um almoço hoje e só ver a cor do dinheiro daqui a 30 dias. É o que acontece hoje.

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O que o governo quer fazer? Acabar com essa espera. O plano é que o dinheiro caia na conta do estabelecimento em até dois dias úteis, um prazo bem mais parecido com o do Pix ou do cartão de débito. Para não quebrar as empresas do setor, essa mudança deve ser feita aos poucos.

E o pagamento por Pix? Ficou para depois

Uma ideia que estava na mesa era acabar com o cartão e pagar o benefício direto no Pix do trabalhador. Parecia moderno, né? Mas o governo deu um passo atrás.

Houve muita pressão do setor e o receio de que o sistema, que já funciona bem para o trabalhador, ficasse bagunçado. Por enquanto, o bom e velho cartão continua.

Por que mexer nesse time?

Você pode estar se perguntando: por que o governo está se metendo nisso? Mas por que tanto barulho por causa de uma taxinha de cartão? É que o ‘barulho’ envolve um mercado de R$ 150 bilhões por ano e a vida de 25 milhões de brasileiros. E essa história das taxas altas e da demora no pagamento é uma novela antiga, que sempre acaba sufocando o pequeno comerciante, aquele que mais rala para manter o negócio de pé.

Quem gostou e quem não gostou?

  • Dono de restaurante e mercado: Estão comemorando! A Abrasel (associação de bares e restaurantes) afirma que muitos lugares simplesmente deixaram de aceitar o vale por causa dos custos. Para eles, a mudança é um alívio e tanto.
  • Empresas de cartão: Não gostaram muito da história. Elas alegam que o modelo atual só se sustenta por causa dessas taxas e dos prazos longos para repasse.

Como funcionam hoje as transações com Vale-alimentação e Vale-refeição?

Atualmente, empresas como Alelo, Ticket, Sodexo e VR Benefícios atuam com ampla liberdade. Elas definem:

  • Percentual da MDR (3% a 10%)
  • Prazos de repasse (até 30 dias ou mais)
  • Condições contratuais individuais com cada comerciante

Esse modelo gerou concentração de mercado e reclamações constantes de setores de alimentação, que pedem maior regulação.

O que muda com a nova regulamentação do Vale-alimentação e Vale-refeição?

Se confirmadas, as novas regras devem trazer três grandes transformações:

Limite da MDR

  • Teto de 3,5% em todas as transações com VR e VA.
  • Aplicação obrigatória para todas as operadoras.
  • Penalidades para empresas que descumprirem.

Novos prazos para pagamento

  • Repasse em até 2 dias úteis.
  • Transição escalonada para que o setor não seja impactado de forma abrupta.

Fiscalização e transparência

  • Monitoramento constante do setor.
  • Relatórios de conformidade publicados regularmente.

E para você, o que melhora na prática?

Se tudo for aprovado, a mudança pode ser ótima para quem usa o benefício:

  • Mais lugares aceitando seu vale: Com taxas menores, aquele restaurante ou padaria do bairro que não aceitava o cartão pode passar a aceitar.
  • Mais opções para você: Com mais estabelecimentos na rede, você ganha mais liberdade para escolher onde comer ou fazer suas compras.
  • Fortalecimento do comércio local: A medida ajuda diretamente o pequeno comerciante, melhorando seu fluxo de caixa e permitindo que ele continue competindo.
  • A caneta está na mão do presidente Lula, e a expectativa é que tudo seja oficializado até o fim do mês. A mudança promete equilibrar o jogo em um setor bilionário, trazendo um alívio para os comerciantes e, no fim das contas, mais opções para o prato do trabalhador brasileiro.

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    Jerffeson Leone

    Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.