Um jovem de 23 anos foi morto a tiros na porta de casa na noite deste domingo (14/12), no bairro Coroa da Lagoa, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. A vítima, identificada como Arlan de Jesus da Silva, não tinha envolvimento com a criminalidade.
A apuração preliminar indica que o homicídio pode estar ligado a um crime ocorrido na última sexta-feira (12/12), em um bairro próximo, na comunidade de Ponto Parada. Criminosos teriam executado Arlan como forma de represália relacionada à morte de Adriele Almeida dos Santos, de 28 anos.
Entenda o que aconteceu com Adriele e Arlan
Adriele Almeida dos Santos, de 28 anos, levava uma rotina dedicada à família. Mãe de três filhos, um deles com deficiência, ela sustentava a casa com trabalhos como diarista e com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), recebido em nome do filho. Segundo moradores, era conhecida no bairro Coroa da Lagoa, em Simões Filho, como uma mulher trabalhadora e presente na criação das crianças.
Na noite da última sexta-feira (12), Adriele foi surpreendida dentro de casa por homens armados. Ainda não há confirmação se os filhos de Adriele estavam no imóvel no momento do crime. Ela foi atingida por vários disparos, a maioria na cabeça, e morreu no local. O assassinato ocorreu na Rua Marlene Aragão, no bairro Ponto Parada.
O sepultamento aconteceu na manhã de domingo (14/12), sob forte comoção. Durante o velório, pessoas relataram ameaças em tom de vingança. Moradores ouviram frases que indicavam que o crime não ficaria sem resposta e que haveria represália.
Horas depois, a violência se concretizou
Na noite do mesmo domingo, criminosos armados foram até a casa de Arlan de Jesus da Silva, de 23 anos, irmão de uma mulher apontada como suspeita de envolvimento na morte de Adriele. Segundo testemunhas, os traficantes já haviam feito ameaças diretas, exigindo que a suspeita se apresentasse. O aviso era claro: caso ela não aparecesse, o irmão seria morto.
Como a mulher não se apresentou, os criminosos cumpriram a ameaça e executaram Arlan a tiros na porta de casa, na Rua Topázio, Baixa da Jaqueira, no bairro Coroa da Lagoa. Ele morreu antes de receber socorro. Testemunhas afirmam que o jovem não tinha ligação com a criminalidade e não participava de conflitos na região.

Moradores também relataram que a família havia se mudado para o bairro há pouco tempo. Eles trabalham na Ceasa e mantêm um box no local. Segundo vizinhos, não havia histórico de envolvimento da família com atividades ilícitas.
A principal informação na comunidade aponta que criminosos mataram Arlan como retaliação direta ao assassinato de Adriele, mas o jovem não teve qualquer ligação ou envolvimento no caso e morreu inocente, sem sequer saber o motivo.

Após a execução, os criminosos ainda incendiaram a casa da família. Moradores relataram momentos de pânico, com chamas se espalhando pelo imóvel logo depois do crime, o que aumentou o clima de medo na comunidade e deixou os parentes de Arlan em estado de choque.
O clima no bairro segue tenso, com moradores assustados diante da sequência de execuções em um curto intervalo de tempo na região.
Investigação em Simões Filho
É importante esclarecer que não há confirmação oficial de que a irmã de Arlan tenha sido a mandante do assassinato de Adriele. Essa informação surgiu a partir de relatos de moradores.
De acordo com essas informações iniciais, traficantes da região acusaram a irmã de Arlan de envolvimento no crime, sem que haja comprovação até o momento. Ainda segundo os relatos, os criminosos exigiram que ela se apresentasse e fizeram ameaças, afirmando que, caso isso não ocorresse, matariam o irmão dela.
Como a mulher não apareceu, os traficantes cumpriram a ameaça e executaram Arlan. A polícia ainda investiga essa versão e, até agora, não apontou formalmente nenhuma pessoa como mandante do crime de Adriele.
A 22ª Delegacia Territorial de Simões Filho investiga o caso, e as equipes apuram os dois homicídios de forma integrada. Os investigadores buscam identificar os autores, esclarecer a motivação e verificar a participação de organizações criminosas nos crimes. Até a última atualização desta reportagem, a polícia não havia prendido ninguém.





