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Durante anos, motoristas de todo o país abasteceram seus carros acreditando na informação exibida no visor da bomba. Só que, em muitos postos, a conta não fechava. Equipamentos adulterados entregavam menos combustível do que o indicado, enquanto o valor cobrado permanecia cheio. Esse esquema, conhecido como bomba baixa, virou um dos golpes mais lucrativos praticados no setor e alimentou uma rede de fraudes que passou despercebida por muito tempo.

Para enfrentar esse tipo de fraude, começa a entrar em cena uma tecnologia nacional que vai mudar o cenário em todo o país, a bomba medidora criptografada. Ela será obrigatória em todos os postos até 2029.

Como funciona a bomba criptografada

Hoje, três práticas comprometem o abastecimento: adulteração do combustível, manipulação da medição e sonegação de impostos. Entre elas, a bomba baixa é a mais difícil de detectar, já que altera eletronicamente os pulsos enviados entre o medidor e o visor. Um motorista paga por 40 litros e abastece menos sem perceber.

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A nova bomba rompe essa lógica com uma assinatura digital que valida cada abastecimento. Cada operação recebe um carimbo eletrônico. Se alguém tentar mexer no sistema, a bomba trava ou mostra erro. O equipamento também permite monitoramento à distância, tem memória protegida e bloqueia o acesso aos cabos internos, que eram justamente o alvo dos fraudadores.

Postos de Combustíveis terão que instalar nova bomba
Créditos: (Imagem: Ipem)

Onde o equipamento já está instalado

Em São Paulo, 171 postos já adotaram a tecnologia. São 445 bombas em funcionamento, embora apenas 15 estejam na capital. Para orientar motoristas, o Ipem-SP criou a campanha Bomba Segura, que oferece em seu site um painel interativo com a localização dos postos certificados.

O superintendente Marcos Heleno Guerson de Oliveira Junior explica que a medida amplia a transparência ao consumidor, que passa a saber onde as bombas foram verificadas e aprovadas.

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Quanto custa a nova bomba

O investimento é alto, mas considerado viável. Segundo Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal, o preço fica entre 20% e 30% acima do modelo tradicional. O setor discute alternativas de financiamento pelo BNDES para acelerar a troca.

Como evitar golpes enquanto a mudança não se completa

Kapaz recomenda atenção redobrada. Entre os cuidados:

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  • Solicitar o teste da medida-padrão de 20 litros

A bomba criptografada não avalia a qualidade do combustível, responsabilidade da ANP, mas dificulta fraudes imperceptíveis ao consumidor. Para Kapaz, a adoção do equipamento fortalece a confiança e pressiona o setor a reduzir práticas ilegais que prejudicam motoristas há anos.

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Jerffeson Leone

Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.