O Banco Central quer dar um novo passo na evolução do Pix. Depois de transformar a ferramenta em um fenômeno nacional, a autarquia agora mira no Pix Parcelado, uma versão que pretende funcionar como vitrine de crédito dentro das compras on-line. O pedido foi encaminhado à Estrutura de Governança do Open Finance, que estuda como criar um sistema capaz de exibir várias opções de parcelamento em uma única operação.
Como o Pix Parcelado deve funcionar
O Pix parcelado seguirá a lógica dos pagamentos instantâneos, mas com a vantagem de possibilitar o parcelamento do valor em até 24 vezes, dependendo da instituição financeira. Quem vende ou presta o serviço continuará recebendo o valor total da compra imediatamente, enquanto o comprador quitará o débito de forma parcelada. A operação unirá a rapidez do Pix com a flexibilidade do crédito.
Cada banco ou fintech poderá definir suas próprias condições de juros, taxas e prazos. Essa liberdade cria um ambiente competitivo, em que o consumidor terá a chance de comparar as opções disponíveis antes de concluir a transação. A previsão é que o recurso esteja integrado aos aplicativos de pagamento e carteiras digitais já conhecidas, sem que o usuário precise abrir novos canais ou enfrentar burocracia.
Um novo capítulo do Pix no Open Finance
O modelo do Pix Parcelado está sendo desenvolvido dentro do Open Finance, o sistema que permite o compartilhamento de dados financeiros de forma segura entre instituições. Quanto mais conexões o usuário tiver com bancos e fintechs, maior será o número de ofertas de parcelamento exibidas. Ou seja, em poucos cliques, as melhores condições de pagamento serão oferecidas por bancos e fintechs.
Como a ferramenta do Pix vai funcionar
A função de apresentar essas ofertas ficará nas mãos das iniciadoras de pagamento – empresas autorizadas a realizar transferências em nome do usuário. Elas já operam o Pix Automático e agora devem incorporar essa vitrine de crédito. Assim, quando o cliente permitir, o sistema acessa suas contas cadastradas no Open Finance e mostra as opções disponíveis. Quanto mais instituições conectadas, maior o leque de propostas.
Ainda não há definição sobre limites, juros ou restrições específicas, já que o regulamento oficial do Pix Parcelado só será divulgado no fim de outubro. Mas a lógica é que o processo siga os princípios do Open Finance: transparência, competição e controle do usuário sobre os próprios dados.
Espaço para as fintechs
Dentro desse novo modelo, o Banco Central quer dar protagonismo às fintechs e empresas de tecnologia financeira. Enquanto os grandes bancos já possuem autorização para operar o Pix Parcelado, dificilmente exibirão ofertas de concorrentes dentro de seus próprios aplicativos. As fintechs, por outro lado, podem atuar como agregadoras, reunindo diferentes propostas de crédito em um só lugar.
Essa distinção cria um terreno fértil para inovação. As empresas menores ganham espaço para mostrar soluções competitivas e o consumidor passa a comparar condições de forma direta. O movimento também incentiva o surgimento de plataformas que reúnem ofertas de instituições variadas, de bancos tradicionais a startups especializadas.
Inclusão e acesso ao crédito
O Pix Parcelado nasce com um potencial social importante. Segundo o Instituto Quaest, 60% dos brasileiros de baixa renda não têm cartão de crédito. Para boa parte desse público, o novo formato pode funcionar como uma linha de crédito acessível, prática e sem a burocracia dos meios tradicionais.
A proposta deve beneficiar também o comércio eletrônico e os pequenos varejistas, que poderão oferecer parcelamento via Pix sem depender de intermediários. Isso reduz custos operacionais e amplia as possibilidades de venda. Em muitos casos, o consumidor fará todo o processo de compra e parcelamento dentro do próprio site, sem abrir o aplicativo do banco.
Integração com carteiras digitais
O Banco Central avalia levar o Pix Parcelado para dentro de carteiras digitais como Google Pay, Apple Pay e Samsung Pay. A operação por aproximação colocaria o crédito instantâneo no dia a dia do consumidor, tanto em compras físicas quanto on-line. A ideia é transformar o Pix Parcelado em um meio de pagamento presente nas experiências mais comuns, sem exigir passos extras.
O cronograma do Banco Central
A Estrutura de Governança do Open Finance tem até dezembro para apresentar ao BC um modelo funcional do sistema de ofertas. Enquanto isso, outras áreas da instituição trabalham em conjunto para definir as diretrizes da regulamentação.
As regras oficiais devem sair na última semana de outubro e vão padronizar o funcionamento do Pix Parcelado entre bancos e fintechs. Hoje, algumas instituições já oferecem parcelamento via Pix, mas cada uma com regras próprias. O Banco Central quer unificar essas práticas, garantindo segurança e clareza para o consumidor.
O Fórum Pix, grupo que reúne representantes do sistema financeiro, deve publicar em dezembro um manual detalhando a experiência do usuário. O documento será a base para o funcionamento do produto em todo o país.
Um novo momento para o pagamento digital
A meta do BC é que até 2026 o Pix Parcelado esteja totalmente implementado dentro das normas. Quando isso acontecer, o consumidor poderá comparar taxas e prazos com a mesma facilidade com que hoje faz uma transferência.





