O Banco Central prepara uma mudança de peso no sistema de pagamentos mais querido da população brasileira. Até o fim de setembro, será anunciada uma nova função do Pix que promete atuar de forma semelhante a um cartão de crédito — mas sem a burocracia que milhões de brasileiros ainda enfrentam para ter acesso a esse tipo de serviço. A expectativa é que essa novidade alcance cerca de 60 milhões de pessoas em todo o país.
Estamos falando do Pix Parcelado. Entenda, a seguir, como vai funcionar e quem poderá usar esse recurso.
Cartão de crédito x Pix Parcelado
A comparação é inevitável. No cartão de crédito, o parcelamento já é um velho conhecido dos brasileiros, mas não é isento de armadilhas.
- Em muitos casos, há cobrança de juros embutidos;
- Mesmo quando a propaganda fala em “parcelamento sem juros”, especialistas lembram que o custo costuma estar diluído no preço final do produto;
- Se a fatura não é paga integralmente, o consumidor cai no temido rotativo, que cobra juros superiores a 15% ao mês — uma das linhas de crédito mais caras do mercado.
- O Banco Central quer justamente quebrar esse ciclo. O Pix Parcelado chega como alternativa para que o cliente possa dividir suas compras sem cair em uma bola de neve de encargos escondidos.
Como vai funcionar na prática
O processo será parecido com o do cartão, mas com diferenças importantes. O consumidor solicita crédito diretamente ao banco onde já tem conta. Já o lojista recebe o valor integral na hora da venda. E o cliente paga em parcelas, de acordo com as condições oferecidas pela instituição.
Se houver atraso, entram em cena as regras de cada banco, que definem juros e medidas de cobrança conforme o perfil de risco do cliente. O BC reforça que a expectativa é de taxas mais vantajosas, já que a concorrência deve empurrar os bancos para condições menos pesadas.
E um detalhe chama a atenção: o próprio Banco Central já sinalizou que espera ver preços finais iguais ou até mais baixos que os praticados hoje no parcelado sem juros do cartão de crédito.
Vai impulsionar compras de valor mais alto
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já havia antecipado, em junho, o potencial da novidade. Nas palavras dele, o Pix Parcelado deve ampliar o uso do sistema no varejo, principalmente em compras de valor mais alto, aquelas em que o cliente não consegue pagar à vista.
Na prática, o funcionamento é direto: o lojista recebe o dinheiro na hora, enquanto o comprador tem a chance de parcelar o pagamento com a instituição financeira de sua confiança.
Por que lojistas podem sair ganhando com o Pix Parcelado?
Se para o consumidor a novidade já soa atrativa, para os lojistas pode ser ainda melhor. Isso porque, diferente do cartão, o dinheiro cai à vista, sem cobrança de taxas para antecipação.
No modelo atual, muitos comerciantes precisam pagar caro aos bancos para receber o valor das parcelas de forma antecipada. No Pix Parcelado, isso deixa de existir. O lojista não perde nada: o cliente parcela, mas ele recebe integralmente no ato da venda.
O Banco Central foi direto: “No Pix Parcelado, o lojista recebe o valor total no momento da venda. Logo, não haverá antecipação nem cobrança de taxa de antecipação.”

O que dizem os bancos
A Febraban, que representa os principais bancos do país, enxerga a novidade como um movimento natural. Hoje o Pix já domina as transações no país, e a tendência é que, com o parcelamento, essa presença cresça ainda mais no dia a dia dos brasileiros.
A federação pondera, no entanto, que cada instituição terá autonomia para definir a oferta e o preço do produto. Em outras palavras, caberá a cada banco escolher as taxas de juros e as condições de parcelamento.
Mesmo assim, a expectativa é positiva. “Os clientes vão continuar escolhendo a forma que melhor se encaixa no momento da compra”, resumiu a entidade em abril.
Quando chega ao mercado
A previsão do Banco Central é de que o Pix Parcelado esteja disponível até o final de setembro de 2025. A funcionalidade poderá ser usada tanto para compras no varejo quanto para transferências entre pessoas.
No fim das contas, o que se desenha é um novo cenário: consumidores ganham mais uma alternativa de crédito, lojistas têm a vantagem de receber na hora e os bancos disputam espaço oferecendo taxas mais atrativas.
Em um país onde o parcelamento já faz parte da cultura de consumo, a expectativa é que o Pix Parcelado caia no gosto popular rapidamente.





