O desaparecimento do motorista de aplicativo João Henrique Cerqueira de Matos, de 25 anos, morador de Simões Filho, segue cercado de dúvidas e quatro versões. O carro alugado usado por ele nas corridas foi encontrado intacto, porém abandonado e revirado, na Rua Bonsucesso, nos fundos da Ceasa. Já o celular parou de dar sinais e a última localização aponta para o Centro Industrial de Aratu.
João Henrique trabalhava como motorista por aplicativo e sustentava a família com a renda das corridas. Ele mora em Simões Filho com a esposa e tem um filho de 8 anos. Na noite de domingo (11), avisou que estava encerrando o turno e faria apenas mais uma viagem. Pouco tempo depois, o contato parou.

Com poucos elementos confirmados, quatro versões ganharam força em Simões Filho e nas linhas iniciais de apuração do caso. Abaixo, o que cada hipótese indica, quais detalhes combinam com ela e quais pontos ainda deixam buracos.
1ª versão: emboscada durante a corrida
A versão mais comentada considera que João pode ter sido atraído para uma armadilha enquanto trabalhava. A rotina de motorista por aplicativo costuma expor o profissional a chamadas em locais isolados, especialmente à noite. O fato de ele ter avisado que faria a última corrida e, logo depois, ter sumido, pesa nessa linha.
O carro intacto, deixado para trás, também chama atenção. Quem faz uma emboscada pode ter interesse em levar apenas a pessoa, não o veículo. O interior revirado reforça a ideia de que alguém procurou algo ali, como celular e documentos de João.
2ª versão: sequestro
Também se falou em sequestro, mas essa versão enfraqueceu com o passar dos dias. Segundo a família, três dias se passaram e ninguém entrou em contato para pedir resgate. Esse silêncio enfraquece a hipótese de sequestro.
4ª versão: armadilha com João “no meio” sem saber
Uma versão citada nos bastidores aponta que João pode ter sido chamado para buscar um passageiro na Região de São Tomé de Paripe. No trajeto, criminosos teriam interceptado o carro para capturar o passageiro. Nesse cenário, João teria sido levado de forma inocente apenas por ter presenciado a ação, em uma tentativa de eliminar possíveis testemunhas.
4ª versão: latrocínio
A possibilidade de latrocínio apareceu no começo, mas perdeu força. O motivo é claro: o carro estava intacto e foi abandonado. Em crimes patrimoniais, o veículo costuma ser levado ou desmontado. Aqui, a dinâmica indicada pelos vestígios aponta mais para a retirada do motorista do que para o interesse no automóvel.
Buscas mobilizam família e Equipe Motta em Simões Filho
A esposa jucyele acionou a Equipe Motta, que passou a ajudar nas buscas em dois pontos apontados por informações anônimas recebidas. Um deles é o Centro Industrial de Aratu, em Simões Filho, onde o celular teria registrado a última localização. O outro é a Região da Pederias, área citada como ponto de desova, na divisa entre Salvador e Simões Filho.
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Segundo os familiares, chegaram relatos de que o corpo estaria na região onde o sinal do celular sumiu, no Centro Industrial de Aratu. Também houve indicação da Região da Pederias. Até o momento, porém, nada foi encontrado. A localização do aparelho segue aparecendo na rotatória do Centro Industrial do Aratu, que liga a Ilha de São João e a Equipe Motta continuam as buscas no local.
A esposa do trabalhador está no local, acompanha o andamento das buscas e voltou a pedir ajuda, solicitando informações que possam indicar onde o marido está.
O que diz a Uber?
A reportagem do N1N entrou em contato com a Uber e solicitou posicionamento, já que a família afirma que João trabalhava pela plataforma, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.





