Os trabalhadores Pedro da Silva Santos, 47 anos, e Aldemir Souza do Nascimento, 37, moradores de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, morreram de forma violenta em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Eles tinham deixado a Ilha de São João para tentar estabilidade financeira e enviar dinheiro para a família. A ida ao Rio ocorreu em etapas, Aldenir foi primeiro, depois o tio de Pedro foi encontrar o sobrinho, sempre mantendo contato com os parentes na Bahia. Os dois eranm pintores náutico.
Relatos da família sobre a rotina no Rio
A irmã de Pedro, moradora de Ilha de São João a quase 50 anos, disse que acompanhou de perto a trajetória dos dois. Ela descreveu o irmão como um homem dedicado, criado na Ilha de São João e conhecido por todos em Simões Filho. Segundo ela, ele trabalhava, mantinha boa relação com vizinhos e não tinha histórico de envolvimento com crimes ou drogas.
A familiar citou ainda que ambos estavam instalados em Angra dos Reis, com emprego e residência fixa. Aldemir trabalhava havia quase dois anos, enquanto o sobrinho tinha cerca de oito meses na cidade. A ida ao Rio foi, segundo ela, motivada por uma oportunidade oferecida por um pastor local.

Família busca reconhecimento de direitos trabalhistas
Outro familiar dos trabalhadores, Layane, informou que tenta contato com o responsável pela empresa onde os primos atuavam, a empresa MBA. A família diz que procurou o empregador, mas não obteve resposta direta. Segundo Layane, um advogado da empresa afirmou que não havia vínculo trabalhista com a empresa.
Os parentes contestam essa versão. Eles afirmam ter provas de que Pedro e Aldemir trabalhavam na marina, mesmo sem registro formal. A família relata que Aldemir estava no local há quase dois anos e que Pedro havia começado recentemente.
A principal cobrança é o reconhecimento dos direitos trabalhistas e o custeio de despesas das crianças que ficaram sem o sustento dos pais. Segundo familiares, as duas vítimas deixaram filhos pequenos, e o suporte financeiro será essencial nos próximos meses.
“Queremos que a empresa assuma o que é devido. Temos comprovantes de que eles trabalhavam. Não dá para negar isso agora”, afirmou a irmã de Pedro.

Família revela por que os moradores de Simões Filho foram mortos
Segundo ela, moradores comentaram que os responsáveis pelo crime estavam de olho tanto na casa quanto na moto de Aldemir. “Meu sobrinho estava lá e já tinha conquistado uma casa. Eu soube que os criminosos que o mataram estavam de olho na casa e na moto dele. Ele não tinha envolvimento com crime. Ele só queria trabalhar e garantir o sustento da família”.
Ela acredita que o ataque ocorreu enquanto eles se deslocavam à noite para comprar algo na região onde moravam e que os dois teriam sido mortos em um Monte de Oração, área marcada por confrontos entre facções.
“Ele saiu de Simões Filho e disse: ‘Filha, eu vou trabalhar para dar a você e à nossa filha um bom sustento’, contou a esposa de Pedro.”

Como os policias encontaram os corpos
O sumiço foi registrado em 3 de dezembro, o que levou a Polícia Civil a iniciar buscas nas regiões onde os dois costumavam circular. As primeiras informações indicaram que eles moravam no Morro da Lambicada, em Jacuecanga, área dominada pelo Comando Vermelho, e esse ponto passou a ser o centro da investigação.

O caso avançou no domingo, dia 7, quando policiais prenderam Hiago, apontado como participante direto do crime. Segundo a polícia, ele confessou o crime durante a abordagem e afirmou atuar como conselheiro do chefe do tráfico do local. O suspeito citou ainda a participação de um terceiro integrante do grupo e explicou como mataram os trabalhadores José e Aldemir.
Hiago contou que Pedro e Aldemir morreram executados a tiros e que os criminosos enterraram os corpos em covas rasas na mata, cobertas com concreto para evitar que alguém encontrasse o local.
Depois que ele mostrou onde tudo aconteceu, equipes da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros abriram as covas e retiraram dois corpos com características compatíveis com as das vítimas. Os corpos seguiram para o Instituto Médico Legal, onde passarão pela identificação formal.
Família pede apoio em Simões Filho
A família relata que não tem condições de arcar com os custos e pede apoio para realizar o translado dos corpos até Simões Filho.
Os parentes também insistem que os dois trabalhavam na marina e afirmam que a recusa da empresa em reconhecer o vínculo empregatício dificulta o processo de indenização. Eles buscam apoio para garantir a segurança financeira dos filhos das vítimas e esperam que o caso avance com o reconhecimento do vínculo trabalhista.
A família concedeu entrevista a TV Record-BA, nesta terça-feira (09/10).





