PUBLICIDADE

Um Projeto de Lei aprovado pela Câmara dos Deputados, propõe que o processo de divórcio continue mesmo que um dos parceiros venha a falecer.  A proposta, da deputada Laura Carneiro, segue para o Senado Federal e se virar lei, os herdeiros poderão dar continuidade ao pedido de divórcio já iniciado pela pessoa que morreu.

Hoje, quando isso acontece, o processo costuma ser interrompido. Na prática, significa que a separação deixa de valer e o cônjuge sobrevivente ainda pode ter direito à herança e a benefícios previdenciários. É exatamente esse ponto que o projeto pretende mudar.

Respeitar a vontade de quem já queria se divorciar

A ideia por trás da proposta é simples e, ao mesmo tempo, sensível: cumprir o desejo de quem já havia decidido se separar.

PUBLICIDADE

Hoje, a Justiça entende que o divórcio pode ser reconhecido após a morte apenas quando há uma manifestação clara e registrada do falecido. Isso abre espaço para interpretações diferentes e até disputas entre familiares.

Com a nova regra, essa dúvida deixaria de existir. Mesmo sem uma sentença final antes do falecimento, o processo poderia seguir normalmente, garantindo que a separação fosse concluída.

Menos conflitos e mais segurança jurídica

A mudança pode parecer técnica, mas afeta diretamente a vida de muitas famílias. Quando o divórcio é interrompido pela morte de um dos cônjuges, o outro ainda é considerado herdeiro. E é aí que começam os impasses sobre quem tem direito ao quê.

PUBLICIDADE

De acordo com especialistas consultados pela CNN se o divórcio é mantido, a divisão de bens muda. O cônjuge sobrevivente deixa de herdar e a partilha passa a seguir apenas entre os herdeiros legítimos.

Na avaliação de especialistas, a proposta também resolve uma discussão antiga no meio jurídico, pois há anos se debate se é possível ou não continuar o divórcio depois da morte. Essa lei colocaria um ponto final nisso.

WhatsApp Receba no WhatsApp as principais notícias
Entre no grupo

Mais autonomia e respeito às famílias

A relatora do projeto, deputada Maria Arraes (Solidariedade-PE), reforçou que o texto protege a autonomia e os direitos de todos os envolvidos.
Segundo ela, é uma forma de garantir que a vontade expressa em vida seja respeitada, evitando situações injustas e desgastantes.

“A proposta protege a autonomia da vontade e evita que situações indesejadas prejudiquem o direito do falecido e, potencialmente, de seus herdeiros”, destacou a parlamentar durante a votação.

A aprovação também é vista por juristas como um passo importante para modernizar o direito de família no país. Casos de longas disputas em inventários e brigas por bens são comuns, e a expectativa é que a medida ajude a acelerar esses processos.

O que esperar daqui pra frente

Com o texto aprovado na Câmara, o próximo passo é o Senado Federal. Lá, o projeto deve passar por novas comissões antes de ser votado em plenário. Se for aprovado, segue para sanção presidencial.

A proposta toca em um ponto delicado: o equilíbrio entre a vontade pessoal e o direito dos herdeiros. Ainda assim, há um consenso entre especialistas de que a mudança traz mais justiça, clareza e coerência às regras de divórcio.

Se virar lei, o PL 198/24 vai representar uma das maiores atualizações do Código Civil nos últimos anos, ajustando-o à realidade atual das famílias brasileiras — onde o fim de um relacionamento nem sempre termina antes da vida.

Compartilhar.
Yanara Cardeal

Yanara Cardeal é formada em jornalismo desde 2009, pós-graduada em Comunicação Corporativa e especialista em jornalismo digital. Atualmente no Portal N1N, se destaca pela produção de conteúdo informativo, voltado ao jornalismo digital e à cobertura de temas de interesse público.