A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ligou o alerta máximo. O motivo? A falta de fomepizol, o principal antídoto contra intoxicação por metanol, que simplesmente não existe no mercado brasileiro neste momento.
Sem esse medicamento, hospitais e prontos-socorros estão improvisando com etanol farmacêutico. Ajuda? Ajuda. Mas não é a mesma coisa. O risco é maior, a eficácia menor. E, em um cenário de emergência, cada detalhe faz diferença.
Por que esse remédio é tão importante
O metanol, um álcool altamente tóxico, pode causar cegueira, falência de órgãos e até morte. O fomepizol age de forma direta: ele bloqueia a transformação dessa substância em compostos ainda mais perigosos para o corpo. É por isso que, em outros países, o medicamento é considerado padrão no tratamento.
Médicos não hesitam em dizer: sem ele, o tempo de resposta cai — e as chances do paciente também.
O que a Anvisa está fazendo
A agência abriu diálogo com os principais reguladores do mundo: FDA, nos Estados Unidos, EMA, na Europa, além de Canadá, Reino Unido, Japão, China, Argentina, México, Suíça e Austrália. Tudo para conseguir liberar estoques já prontos e trazê-los ao Brasil o mais rápido possível.
Paralelamente, lançou um edital internacional chamando laboratórios e distribuidores para oferecer lotes disponíveis. Foi uma resposta direta ao pedido urgente do Ministério da Saúde, que também montou um gabinete de crise para acompanhar a situação de perto.
Mortes e investigações em andamento
Enquanto o antídoto não chega, a realidade é dura: seis mortes já foram confirmadas em São Paulo por suspeita de intoxicação com metanol. Uma delas já teve ligação direta com bebida adulterada. As outras seguem em apuração.
Até agora, o estado notificou 37 casos:
- 10 confirmados em laboratório;
- 27 ainda sob investigação.
No Brasil todo, já são 59 registros: 53 em São Paulo, 5 em Pernambuco e 1 no Distrito Federal. Em 11 deles, exames apontaram a presença de metanol no sangue.
Onde está o perigo
De acordo com especialistas, a adulteração costuma aparecer em destilados incolores, como cachaça e vodca falsificadas. Já as cervejas têm risco menor, porque o gás e a tampa dificultam esse tipo de fraude.
O mais preocupante é que, muitas vezes, o consumidor não percebe a diferença. A garrafa parece normal, o líquido tem gosto parecido. Só que os efeitos aparecem rápido e podem ser fatais.
Orientações à população
Enquanto o Brasil espera o antídoto oficial, a recomendação é simples e direta:
- Desconfie da procedência – não aceite bebida sem rótulo, sem lacre ou entregue por terceiros sem garantia de origem.
- Cuide da alimentação e da hidratação – estar alimentado e hidratado ajuda o corpo a resistir, embora não seja solução.
- Não dirija depois de beber – além de ser crime, em casos de adulteração pode agravar os efeitos da intoxicação.
Em qualquer suspeita, a orientação é ligar imediatamente para o Disque-Intoxicação (0800-722-6001), disponível em todo o país e conectado a 13 centros de referência.
Medidas emergenciais
Para ganhar tempo, o governo distribuiu estoques de etanol farmacêutico em hospitais universitários. Foram adquiridas 4.300 ampolas, que já estão sendo repassadas a centros de saúde que atuam como referência no atendimento.
Ao mesmo tempo, a fiscalização segue em campo. Três laboratórios — Lacen/DF, Laboratório Municipal de São Paulo e Fiocruz — estão analisando amostras de bebidas suspeitas.
Um problema que preocupa
Casos de intoxicação por metanol não são novos, mas sempre chocam. Em geral, surgem em ondas ligadas ao mercado clandestino de bebidas. O perigo maior é a dificuldade de identificar a adulteração a olho nu.
E, sem o antídoto original, o país fica em posição ainda mais vulnerável. Médicos alertam: cada hora sem tratamento pode ser decisiva.
Conclusão
O Brasil corre contra o tempo. A Anvisa tenta trazer o fomepizol de fora, enquanto hospitais improvisam com alternativas menos eficazes. Enquanto isso, à população resta a prevenção: não arriscar, não aceitar bebida de origem duvidosa e procurar ajuda médica ao menor sinal de intoxicação.
No fim das contas, até a chegada do antídoto, a maior arma contra o metanol é a atenção redobrada.





