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Já faz tempo que viajar de avião deixou de ser sinônimo de conforto incluso. Se antes o passageiro embarcava com tudo resolvido, da bagagem ao lanche, agora cada etapa tem um custo. E a novidade da vez está dando o que falar. Companhias aéreas brasileiras decidiram restringir até a tradicional mala de mão.

O que isso significa? Na tarifa mais barata, o passageiro só pode embarcar com um item pessoal, como uma mochila pequena ou bolsa de colo. Aquela mala de 10 kg, que sempre foi aliada dos viajantes econômicos, virou extra e precisa ser paga à parte.

As empresas justificam. Alegam que a mudança ajuda a evitar atrasos no embarque, já que a disputa por espaço nos bagageiros virou cena comum. Segundo elas, menos malas na cabine significa menos tumulto. Mas não é bem assim que o público está enxergando.

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Reação imediata

A repercussão foi quase instantânea. Redes sociais se encheram de críticas. Muitos consumidores sentiram que estão pagando mais por menos, de novo. E o desconforto chegou à política. Hugo Motta, presidente da Câmara, não poupou palavras. Chamou a cobrança de abuso e prometeu pressa na votação de um projeto que barra a cobrança pela mala de mão.

A proposta é direta. Garante que todo passageiro possa levar, sem custo adicional, uma bagagem de até 10 kg e um item pessoal. Isso vale tanto para voos dentro do país quanto para internacionais. A medida, se aprovada, pode obrigar as companhias a reverem suas estratégias comerciais.

Uma promessa de economia que nem sempre se cumpre

O modelo adotado lembra bastante o das companhias low cost. Tarifa mais barata? Sim, desde que o passageiro abra mão de praticamente tudo. O problema é que, somando os extras como mala, assento, lanche, conexão à internet e prioridade no embarque, o preço final muitas vezes ultrapassa o de uma passagem convencional.

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A lógica é simples. Você paga apenas pelo que usar. Mas na prática, pouca gente consegue viajar só com uma mochila. E quem precisa trabalhar durante o voo, ou levar mais pertences, acaba sendo penalizado.

Além disso, o desconforto de não saber quanto a viagem vai custar de verdade até o fim da compra afasta os consumidores. Transparência tem sido um ponto fraco nesse modelo.

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Números que pressionam

Enquanto isso, o movimento nos aeroportos brasileiros segue crescendo. Só no primeiro semestre de 2025, quase 62 milhões de pessoas passaram pelos terminais. Isso representa uma alta de 10% em relação ao ano anterior. Com tanta gente voando, é natural que o debate sobre direitos e limites das companhias ganhe força.

Em escala global, as chamadas receitas auxiliares incluem tudo aquilo que não está na tarifa, como bagagens, alimentação e upgrades. Essas cobranças devem movimentar cerca de 145 bilhões de dólares até o fim do ano. Isso representa 14% da receita total do setor aéreo. Ou seja, essas taxas viraram peça-chave no faturamento das empresas.

E o consumidor no meio disso tudo?

Quem viaja sente no bolso. O planejamento precisa considerar taxas que, há poucos anos, nem existiam. E a impressão geral é de que a experiência está piorando. Assento apertado, serviço enxuto, pouca flexibilidade. Agora, até a mala virou cobrança.

O passageiro segue tentando se adaptar, escolhendo com mais cuidado, lendo as letras pequenas. Mas a verdade é que o clima de insatisfação cresce. Ninguém gosta de surpresas na hora do embarque, muito menos quando envolvem mais custos.

Enquanto isso, resta esperar que o Congresso avance com o projeto. E que, em algum momento, viajar volte a ser menos estressante e mais justo.

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Emerson Igor

Emerson Igor é estudante de Jornalismo, com dedicação à produção de conteúdos informativos e análise crítica dos fatos, sempre buscando transmitir notícias de forma clara, objetiva e responsável.