
Na hora de contratar um empréstimo, muita gente olha apenas para a taxa de juros e acredita que encontrou a melhor opção. O problema é que esse número, sozinho, pode enganar. O que realmente mostra quanto a dívida vai pesar no bolso é o Custo Efetivo Total, conhecido como CET.
Esse é o dado que reúne não apenas os juros, mas também tarifas, impostos, seguros e outros encargos que podem aparecer no contrato. Por isso, dois empréstimos com o mesmo valor, mesmo prazo e até juros parecidos podem terminar com custos bem diferentes.
A especialista Priscila Barbosa, do Banco Central, chamou atenção para esse ponto ao explicar que muitos consumidores deixam passar uma informação obrigatória nos contratos de crédito.
“Todo contrato de empréstimo aqui no Brasil é obrigado a exibir o CET, que é o Custo Efetivo Total.”
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Essa frase resume uma mudança importante na forma de comparar crédito. Em vez de perguntar apenas “qual banco tem o menor juro?”, o consumidor precisa perguntar: “qual empréstimo tem o menor CET?”
O Custo Efetivo Total é o percentual que mostra o custo real de uma operação de crédito. Ele inclui a taxa de juros, mas não para nela. Também entram na conta despesas como tarifas, tributos, seguros e outros valores cobrados do cliente durante o contrato. O próprio Banco Central explica que o CET engloba não apenas juros, mas também tarifas, tributos, seguros e outras despesas cobradas do tomador.
Isso significa que uma oferta aparentemente barata pode ficar cara quando todos os custos são somados.
“O CET considera tudo, juros, tarifas, imposto e seguro. Esse é que é o número mágico para te ajudar na sua decisão de tomar um empréstimo.”
Imagine uma pessoa que precisa pegar R$ 15 mil emprestados. O banco A oferece uma taxa de juros menor, mas cobra seguro, tarifa de cadastro e outros encargos. O banco B cobra juros um pouco maiores, porém tem menos custos adicionais. Se a pessoa olhar apenas os juros, pode escolher o banco A. Mas, ao comparar o CET, pode descobrir que o banco B sai mais barato no valor final.
É por isso que o CET é tão importante. Ele funciona como uma fotografia mais completa da dívida.
Na explicação citada por Priscila Barbosa, o exemplo usado é o de Rafael, motorista de aplicativo em Belo Horizonte. Ele precisava comprar outro carro depois que o motor do veículo antigo fundiu. Para isso, contratou um empréstimo de R$ 15 mil.
Rafael comparou as taxas de dois bancos e escolheu a menor taxa de juros. A decisão parecia correta. Porém, dois anos depois, percebeu que havia pago R$ 4 mil a mais do que esperava.
O erro não foi contratar crédito. Também não foi confiar no banco. O problema foi olhar apenas para um número do contrato e ignorar o CET.
“A taxa de juros estava no contrato e ela era real, mas o CET também estava no contrato, porque ele é obrigatório. Só que ele não olhou para esse número.”
Na prática, isso acontece todos os dias. O consumidor vê uma propaganda com “taxa a partir de...” e acredita que aquela será a condição final. Mas o contrato pode trazer outros custos que aumentam o valor total da dívida.
Por isso, antes de assinar qualquer empréstimo, financiamento, consignado ou parcelamento com encargos, é fundamental localizar o CET no contrato ou na proposta.
A comparação correta começa pelo valor final que será pago. A taxa de juros ajuda, mas o CET mostra uma visão mais fiel da operação.
Antes de fechar contrato, observe:
A melhor proposta não é necessariamente aquela com a menor parcela. Parcelas menores podem esconder prazos mais longos, e prazos maiores costumam aumentar o valor final pago. Também não é sempre a menor taxa de juros que vence, porque os custos extras podem tornar a operação mais cara.
O ideal é comparar propostas com o mesmo valor emprestado e o mesmo prazo. Assim, fica mais fácil enxergar qual instituição oferece o menor custo real.
Quem já pegou empréstimo também pode procurar uma saída para reduzir custos. Uma possibilidade é a portabilidade de crédito, que permite transferir uma dívida de uma instituição financeira para outra com melhores condições.
Segundo o Banco Central, a portabilidade permite levar empréstimos e financiamentos para outro banco que ofereça condições mais vantajosas. O consumidor deve obter informações sobre a dívida atual, negociar com a nova instituição e avaliar se a troca realmente compensa.
Nesse processo, o CET volta a ser decisivo. Não basta o novo banco prometer parcela menor. É preciso verificar se o custo total será de fato mais baixo.
O Banco Central informa que, na solicitação de portabilidade, devem constar dados como taxa de juros anual, Custo Efetivo Total, prazo da operação, sistema de amortização e valor das prestações. O processo pode levar até sete dias úteis quando as informações entre as instituições permitem a transferência.
O CET oferecido ao consumidor pode variar conforme o perfil de risco, o prazo e as garantias envolvidas.
Quem tem histórico de pagamento positivo tende a ser visto como um cliente de menor risco. Isso pode ajudar na negociação. Já prazos muito longos podem deixar a parcela mais confortável no mês, mas aumentar o custo total, porque os juros agem por mais tempo.
Outro ponto é a garantia. Em algumas modalidades, oferecer um bem como garantia pode reduzir o risco para a instituição financeira e abrir espaço para condições melhores. Mesmo assim, é preciso cuidado: colocar um bem em garantia exige planejamento, porque o não pagamento pode trazer consequências sérias.
O CET costuma aparecer na proposta ou no contrato de crédito, geralmente em formato percentual ao mês e ao ano. Ele pode estar perto das informações sobre taxa de juros, valor financiado, quantidade de parcelas e encargos.
Antes de assinar, procure por termos como:
Se a informação não estiver clara, peça explicação antes de contratar. O consumidor não deve aceitar pressão para assinar sem entender o valor final.
O empréstimo pode ser uma ferramenta útil em momentos de necessidade, mas precisa ser contratado com atenção. Antes de decidir, simule em mais de uma instituição, compare o CET e veja se a parcela cabe no orçamento sem comprometer contas essenciais, como aluguel, alimentação, energia, água e transporte.
Também vale consultar as taxas médias de juros divulgadas pelo Banco Central, que permitem ao consumidor ter uma referência das condições praticadas por instituições financeiras em diferentes modalidades de crédito.
O ponto principal é não decidir pela pressa. Quando o assunto é dívida, poucos minutos lendo o contrato podem evitar meses ou anos pagando mais caro.
O número que mostra quanto seu empréstimo vai custar de verdade não é apenas a taxa de juros. É o Custo Efetivo Total. Ele reúne os encargos da operação e ajuda o consumidor a comparar propostas com mais segurança.
A fala de Priscila Barbosa, especialista do Banco Central, serve como alerta para qualquer pessoa que pensa em contratar crédito: olhar o contrato com atenção pode mudar completamente a escolha.
Antes de pegar um empréstimo, procure o CET, compare propostas e só feche negócio quando entender quanto realmente será pago. E, se você já tem uma dívida, avalie se a portabilidade pode reduzir o custo. Compartilhe esta informação com alguém que está pensando em contratar crédito, porque esse detalhe pode fazer uma grande diferença no bolso.