
O golpe do Pix continua preocupando brasileiros porque, em poucos minutos, uma conta pode ser usada para transferências, pagamentos e até resgate de aplicações financeiras. O problema fica ainda mais grave quando a vítima só percebe a fraude depois que o dinheiro já saiu da conta.
Um caso registrado em Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, mostra bem esse risco. Um idoso de 75 anos teve prejuízo aproximado de R$ 25,9 mil após criminosos acessarem contas bancárias sem autorização. Segundo o boletim de ocorrência, ele percebeu algo errado depois de fazer uma transferência via Pix e receber uma notificação de saldo negativo no Bradesco.
Na agência, foi informado de que havia sido vítima de fraude. Foram identificados dois pagamentos não reconhecidos, de R$ 5.999 e R$ 4.999. Depois, ao procurar o Itaú, descobriu que outra conta também havia sido comprometida. Nesse segundo banco, criminosos teriam resgatado aplicações financeiras e feito um Pix de R$ 14.896 para uma conta identificada como “MarketP”.
Nem sempre a vítima sabe explicar como os criminosos conseguiram acesso à conta. Isso também ocorreu no caso do idoso de Pedro Leopoldo. Ele afirmou desconhecer a forma de acesso e acredita que as movimentações foram feitas sem sua autorização.
Em golpes desse tipo, a fraude pode envolver diferentes caminhos. Entre os mais comuns estão ligações falsas de supostos funcionários de banco, links enviados por mensagem, aplicativos maliciosos instalados no celular, roubo de senha, acesso indevido ao aparelho ou engenharia social, quando o criminoso convence a vítima a entregar dados sem perceber.
A Febraban alerta que, em caso de crime, o cliente deve avisar imediatamente o banco para que sejam adotadas medidas de segurança, como bloqueio do aplicativo e da senha de acesso, além do registro de boletim de ocorrência.
Criminosos costumam mirar pessoas idosas porque muitas delas têm relacionamento antigo com bancos, recebem aposentadoria, mantêm aplicações financeiras e podem ter menos familiaridade com alguns recursos digitais. Isso não significa falta de atenção da vítima. Na maioria das vezes, o golpe é planejado para parecer verdadeiro.
Uma ligação com tom urgente, por exemplo, pode dizer que houve uma compra suspeita, que o cartão foi clonado ou que a conta precisa ser “regularizada”. A partir daí, o golpista tenta induzir a pessoa a informar códigos, instalar aplicativos ou confirmar dados.
Ao notar Pix, pagamento ou saque desconhecido, o consumidor deve agir rápido. Quanto menor o intervalo entre a fraude e a comunicação ao banco, maiores são as chances de bloqueio preventivo dos valores.
Medidas importantes:
O Banco Central explica que o Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED, é uma ferramenta exclusiva do Pix criada para ajudar vítimas de fraude a tentar recuperar valores. O pedido deve ser feito na instituição financeira em até 80 dias da data da transação, quando houver golpe, fraude ou crime.
Alguns cuidados simples ajudam a dificultar a ação dos criminosos. O primeiro é nunca passar senha, código de autenticação ou token por telefone, WhatsApp, SMS ou e-mail. Bancos não pedem esse tipo de informação fora dos canais oficiais.
Também é importante evitar clicar em links recebidos por mensagens, principalmente quando falam em bloqueio de conta, prêmio, atualização cadastral ou compra suspeita. Em caso de dúvida, o ideal é abrir o aplicativo digitando a senha normalmente ou ligar para o número que aparece no verso do cartão.
Outra dica prática é revisar os limites de Pix no aplicativo do banco. Quem não costuma fazer transferências altas pode manter limites menores, principalmente no período noturno. Isso não impede todas as fraudes, mas pode reduzir o prejuízo.
O caso do idoso de Pedro Leopoldo serve como exemplo para consumidores de qualquer região do país. O golpe do Pix não acontece apenas quando a própria vítima faz uma transferência enganada. Em algumas situações, criminosos conseguem movimentar a conta, fazer pagamentos, resgatar investimentos e transferir valores rapidamente.
Por isso, acompanhar notificações bancárias, conferir o extrato com frequência e agir nos primeiros minutos faz diferença. Se uma movimentação desconhecida aparecer, não espere “para ver depois”. Procure o banco, registre a ocorrência e reúna todos os documentos.
Compartilhe este conteúdo com familiares, principalmente idosos, aposentados e pessoas que usam aplicativos de banco com pouca frequência. Informação clara pode evitar prejuízos altos.