Quem nunca saiu do posto com a sensação de que o carro rodou menos do que deveria, mesmo após abastecer o tanque? Pois essa suspeita tem fundamento. Investigações revelam que alguns postos de combustíveis estão utilizando controles remotos para manipular enganar os clientes. A seguir, mostramos como a fraude funciona na prática e trazemos 7 dicas essenciais para você identificar os postos que aplicam esse tipo de crime.
O golpe é engenhoso — e perverso
Pequenos dispositivos eletrônicos, instalados dentro da bomba, alteram os números do visor. Enquanto a tela mostra que você recebeu 40 litros, o tanque, na prática, ganhou pouco mais de 30.
O segredo está no controle remoto, muitas vezes camuflado em um chaveiro ou até em objetos comuns do dia a dia. Com ele, o frentista ativa ou desativa o esquema em segundos. Assim, durante uma fiscalização, tudo parece normal.
E, para ficar ainda mais difícil de flagrar, os golpistas acionam o sistema em momentos estratégicos: finais de semana, horários de pico, quando a pressa do motorista e a menor presença de fiscais jogam a favor do crime. O resultado é cruel: o consumidor paga como se tivesse recebido litros a mais, mas sai com o tanque vazio.
7 dicas para indetificar postos que aplicam esse golpe
Um dos sinais mais claros de que algo está errado é o preço. Sabe aquele posto que anuncia valores bem abaixo da média e exige pagamento apenas em dinheiro ou Pix? Desconfie.
- Preço “baixo demais”
Achou gasolina muito mais barata que a média da sua cidade? Desconfie. Geralmente, quando a oferta parece milagrosa, o milagre está acontecendo no seu bolso — e não a seu favor. - Pagamento só em dinheiro ou Pix
Essa é clássica. Postos sérios aceitam cartão sem drama. Se o caixa insiste em receber apenas em dinheiro vivo ou transferência rápida, é sinal de que não querem deixar rastros. - Nada de nota fiscal
Todo posto é obrigado a emitir a nota. Se o frentista enrola, diz que “a máquina não está funcionando” ou simplesmente se recusa, pode apostar: tem coisa errada aí. - Bomba com lacre quebrado
Reparou que o lacre do Inmetro está torto, colado de qualquer jeito ou simplesmente não existe? Melhor não arriscar. Esse detalhe diz muito sobre a seriedade do posto. - Carro rendendo menos
Abasteceu e, de repente, percebeu que o carro roda bem menos com o mesmo valor? É o tipo de pista que não dá para ignorar. Pode ser combustível adulterado ou, pior, quantidade menor do que a registrada no visor. - Promoção em horários estratégicos
Muitos golpes são ativados nos fins de semana ou nos horários de maior movimento, justamente quando o motorista está com pressa e há menos chance de fiscalização. Coincidência? Difícil acreditar. - Frentista apressado demais
Se o atendente evita que você olhe o visor, troca de bomba sem explicar ou pede para você ficar no carro, é bom desconfiar. Essa pressa toda geralmente tem um motivo.
“Promoção só em dinheiro, principalmente no fim de semana, é cilada. Esse setor ainda gira muito dinheiro vivo, o que atrai o crime organizado. É uma forma de não deixar rastro.”
— Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), em entrevista ao portal UOL
Fraudes dos Postos assustam
O repertório dos criminosos é vasto e vai além da bomba adulterada:
- Gasolina com até 80% de etanol.
- Etanol diluído com água.
- Adição de metanol, substância tóxica e perigosa.
- Postos “clones” que imitam grandes bandeiras e exigem pagamento rápido, sem recibo.
Para Carlo Faccio, diretor do ICL, a criatividade criminosa é o maior desafio: “Eles estão sempre um passo à frente, usando tecnologia e variações do mesmo golpe. O consumidor precisa estar atento”, disse ao Autoesporte.

Reação do Instituto Combustível Legal
A boa notícia é que o cerco começa a apertar. O Instituto Combustível Legal aposta em “clientes misteriosos” para coletar combustível em postos suspeitos e enviar amostras para laboratórios. Só em 2023, essa estratégia resultou em 1.300 denúncias.
Do outro lado, o Inmetro ampliou as multas, que hoje podem chegar a R$ 1,5 milhão, enquanto a ANP intensificou operações de fiscalização. Mesmo assim, especialistas destacam: sem o olhar atento do motorista, o crime continua tendo espaço.
O recado final
“O brasileiro já sofre com o preço da gasolina. Ser enganado na bomba é um golpe duplo: o tanque não enche e o bolso esvazia. A tecnologia usada pelos criminosos é sofisticada, mas a defesa do consumidor ainda passa pelo básico: informação, desconfiança saudável e denúncia. No fim das contas, só com a combinação de fiscalização rígida e motoristas atentos será possível virar esse jogo e evitar que a bomba continue sendo uma armadilha disfarçada de serviço”. Jerffeson Leone – N1N





