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O debate sobre a escala de trabalho 4×3, que garante quatro dias de serviço e três de descanso, voltou a agitar conversas no país inteiro. O assunto, que já vinha sendo discutido nos bastidores, agora entra oficialmente na pauta do Congresso. Se for aprovado, pode mexer na rotina de milhões de trabalhadores do comércio e de setores que funcionam todos os dias.

Comissão especial entra em ação

Para tratar do tema, os deputados criaram uma subcomissão ligada à Comissão de Trabalho. A presidência ficará com Erika Hilton (PSOL-SP) e o relator será Luiz Gastão (PSD-CE). O grupo tem prazo de até 90 dias para apresentar um parecer.

Nesse tempo, os parlamentares vão ouvir trabalhadores, empresários, professores e membros do governo. Também estão previstas audiências públicas para dar voz à sociedade. A ideia é juntar o máximo de pontos de vista antes de bater o martelo.

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O que diz a proposta da no escala 4×3

O debate gira em torno da PEC 8/25, apresentada por Erika Hilton. O texto sugere que a jornada semanal passe a ser de 36 horas distribuídas em quatro dias.

Atualmente, a lei permite até oito horas por dia, somando 44 horas semanais. Ou seja, a proposta não mexe no limite de horas, mas reorganiza os dias de serviço. Na prática, isso acabaria com a escala 6×1, que hoje é comum em mercados, shoppings e bares.

Até agora, 226 deputados já assinaram a PEC, entre eles nomes do PT, PSOL, Republicanos, União, MDB e PL. Esse apoio mostra que o tema tem força e pode avançar rápido.

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O que a nova escala 4×3 muda para o trabalhador

Especialistas em direito trabalhista lembram que a troca da escala pode representar um ganho importante para quem vive a correria do comércio. Mais tempo de descanso significa menos desgaste físico e mental. Além disso, abre espaço para conviver com a família, cuidar da saúde e aproveitar momentos de lazer.

Não é só isso. Estudos indicam que uma jornada mais curta aumenta a motivação e até a produtividade. Os setores mais afetados seriam os que precisam funcionar sem parar, como supermercados, restaurantes, postos de gasolina, hospitais e transporte.

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Já profissões que seguem leis próprias — como jornalistas, bancários e médicos — dificilmente sentiriam impacto direto, já que possuem regras diferentes.

O peso para os empregadores

Do lado dos patrões, existe receio. Se a escala mudar sem redução de salários, muitos negócios vão precisar contratar mais gente ou bancar horas extras. Isso, sem dúvida, aumenta os custos no curto prazo.

No entanto, especialistas lembram que há outro lado da moeda. Funcionários mais descansados faltam menos, se machucam menos e permanecem mais tempo no emprego. Isso pode reduzir gastos com afastamentos, indenizações e rotatividade, trazendo retorno positivo com o passar do tempo.

O desafio é encontrar equilíbrio

De um lado, está o trabalhador que busca qualidade de vida. Do outro, os empresários que precisam manter as contas em dia.

A proposta não fere a Constituição, já que respeita o limite de horas semanais. Mas exige adaptações profundas, tanto na rotina dos funcionários quanto na forma como os negócios organizam suas equipes.

O relatório da subcomissão vai definir os próximos passos. Até lá, sindicatos, patrões e milhões de brasileiros acompanham de perto cada movimento. Se a escala 4×3 vingar, o Brasil pode viver uma das maiores mudanças no mercado de trabalho das últimas décadas.

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Jerffeson Leone

Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.