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Quem nunca saiu de um posto com aquela sensação de que o carro pareceu rodar menos, mesmo depois de abastecer o tanque até a boca? Pois essa desconfiança tem motivo. Investigações mostram que alguns postos estão usando controles remotos escondidos para enganar os clientes. A fraude é tão discreta quanto perigosa e tem se espalhado por diferentes estados.

Pequenos dispositivos eletrônicos são instalados dentro da bomba e alteram o que aparece no visor. Enquanto o display mostra que o carro recebeu 40 litros, o tanque, na verdade, ganhou pouco mais de 30. Tudo acontece em segundos. O frentista ou o gerente aciona o golpe por meio de um controle remoto, muitas vezes disfarçado em um chaveiro, caneta ou outro objeto comum e desativa o sistema quando sente o risco de fiscalização. Aos olhos de quem passa, parece tudo normal.

Essas fraudes costumam acontecer em momentos estratégicos. Finais de semana, feriados ou horários de maior movimento são os preferidos, justamente quando o motorista está com pressa e há menos chance de fiscalização. O consumidor paga o valor cheio e sai acreditando que o carro está pronto para rodar. Só que o tanque, na prática, está bem mais vazio.

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Como perceber que há algo errado

Alguns sinais ajudam a identificar postos suspeitos. O primeiro deles é o preço. Quando o combustível está muito abaixo da média da cidade, vale acender o alerta. Promoções milagrosas, principalmente quando o pagamento precisa ser feito só em dinheiro ou Pix, são um grande indício de problema.

Outro ponto é a nota fiscal. Todo posto é obrigado a emiti-la. Se o funcionário diz que “a máquina travou” ou que “vai enviar depois”, é melhor ir embora. Postos sérios não inventam desculpas. Também é importante olhar o lacre do Inmetro. Se estiver torto, colado de qualquer jeito ou ausente, é sinal de que alguém mexeu onde não devia.

O comportamento do carro também fala muito. Se ele começa a render menos do que o habitual ou se o consumo parece aumentar de repente, pode ter algo errado com o combustível ou até com a bomba. Em alguns casos, o golpe é aplicado justamente em horários de grande movimento, quando o motorista nem tem tempo de conferir o visor.

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E fique de olho no frentista. Se ele evita que você veja a bomba, troca de bomba sem explicar ou pede que você permaneça no carro, desconfie. A pressa, nesses casos, costuma ter motivo.

Tipos de fraudes que assustam

O golpe do controle remoto é só uma das muitas práticas ilegais que vêm preocupando autoridades. Há ainda os casos de gasolina misturada com até 80% de etanol, etanol diluído com água e até o uso de metanol, uma substância tóxica que danifica o motor e oferece risco à saúde.

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Outros criminosos falsificam grandes marcas e criam os chamados “postos clones”. À primeira vista, parecem legítimos, mas a estrutura é toda irregular. O cliente paga rápido, não recebe comprovante e vai embora sem perceber o golpe.

Fiscalização e combate ao crime

O Instituto Combustível Legal (ICL) intensificou o combate a essas práticas. Uma das principais estratégias é o uso de “clientes misteriosos”, que abastecem em postos suspeitos e enviam amostras de combustível para análise laboratorial. Só em 2023, mais de 1.300 denúncias surgiram dessa forma.

O Inmetro, por sua vez, aumentou o valor das multas, que agora podem chegar a R$ 1,5 milhão. Já a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vem reforçando a fiscalização, principalmente em regiões com alto número de irregularidades. Mesmo assim, os especialistas reforçam: sem o olhar atento do motorista, o crime ainda encontra espaço.

Um problema que exige atenção

Os golpes nos postos mexem com o bolso e com a confiança de quem depende do carro todos os dias. O brasileiro já enfrenta combustível caro e custos altos de manutenção. Ser enganado na bomba é um prejuízo duplo. A fraude drena dinheiro, desgasta o veículo e aumenta a sensação de insegurança.

Por isso, informação e atenção continuam sendo as maiores armas do consumidor. Conferir o lacre, exigir nota, observar o comportamento do carro e evitar preços baixos demais são atitudes simples que fazem diferença. A tecnologia usada pelos criminosos é cada vez mais sofisticada, mas a defesa ainda está no básico: desconfiar e denunciar.

Com fiscalização firme e motoristas atentos, fica mais difícil para quem tenta transformar a bomba de combustível em ferramenta de engano.

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Jerffeson Leone

Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.