Os Correios anunciaram nesta terça-feira, 24, que vão adotar, de forma gradual, a escala 12×36, com 12 horas de trabalho seguidas por 36 horas de descanso. A mudança atinge áreas específicas e integra o Plano de Reestruturação da estatal.
Segundo a empresa, a nova jornada não entra em vigor de forma automática. Cada unidade vai aplicar o modelo conforme a necessidade do serviço. A direção afirma que busca ajustar turnos ao ritmo real das operações, sobretudo diante do avanço do comércio eletrônico.
A estatal destaca que a medida acompanha a modernização dos fluxos operacionais e tenta elevar a eficiência na entrega. Com isso, equipes podem se organizar melhor e responder com mais rapidez à demanda crescente por encomendas.
Além disso, os Correios apontam a escala 12×36 como um fator estratégico. A empresa entende que a jornada amplia a capacidade operacional e reforça sua posição no mercado de entregas. Em um setor cada vez mais competitivo, qualquer ganho de agilidade pesa.
A companhia também afirma que vai cumprir a legislação trabalhista e preservar os direitos dos empregados durante a implementação.
Trabalhadores reagem à nova jornada
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares, Fentect, criticou a decisão. Para a entidade, a mudança aumenta a pressão sobre os funcionários e piora as condições de trabalho.
A federação sustenta que jornadas longas afetam a saúde e sobrecarregam quem já lida com alta demanda. Em nota, a entidade afirma que a categoria se organiza para barrar a medida.
Os trabalhadores falam em mobilização nacional. A federação diz que não aceita cortes de direitos e promete reagir caso a empresa avance com a proposta.
Reestruturação expõe crise financeira
A adoção da escala 12×36 surge em meio a um cenário financeiro delicado. Um diagnóstico recente apontou déficit anual acima de R$ 4 bilhões, além de patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões. O prejuízo acumulado chegou a R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025.
Diante disso, os Correios captaram R$ 12 bilhões em crédito em dezembro. O recurso financia ações emergenciais do plano de reestruturação.
A estatal também anunciou o fechamento de mil agências e lançou um Plano de Desligamento Voluntário. A expectativa envolve até 15 mil adesões.
Outro ponto chama atenção. A empresa iniciou a venda de ativos considerados ociosos. Em fevereiro, realizou o primeiro leilão de imóveis, com 21 unidades em 11 estados, incluindo Ceará, Bahia e São Paulo.
O conjunto de medidas revela a dimensão do desafio. A empresa tenta equilibrar as contas enquanto enfrenta pressão interna e mudanças no mercado.






