Trabalho aos sábados e domingos faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Comércio, serviços, saúde, transporte e turismo funcionam justamente quando a maioria descansa. Esse cenário, porém, vai passar por mudanças profundas em 2026 com o possível fim da escala 6×1.
Hoje, trabalhar seis dias seguidos e folgar apenas um é uma regra em muitos setores. O modelo pesa no corpo, na vida pessoal e no tempo de descanso. Agora, o Congresso discute uma alteração constitucional que promete mudar esse padrão de forma gradual, sem corte de salários.
Em dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição 148/2025. Agora, o texto segue para o plenário. A expectativa no Congresso é de uma votação já no começo do de 2026, possivelmente ainda no primeiro trimestre.
A proposta garante dois dias de descanso remunerado por semana e reduz, aos poucos, a jornada máxima de trabalho no país. A ideia central é limitar o trabalho a cinco dias semanais.
O que prevê a PEC do fim da escala 6×1
De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) e com relatoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE), a PEC estabelece um cronograma claro de mudanças:
- No primeiro ano após a aprovação, a jornada máxima cai de 44 para 40 horas semanais
- Nos quatro anos seguintes, ocorre redução de uma hora por ano, até chegar a 36 horas semanais
- Fica definido o limite de cinco dias de trabalho por semana, com dois dias de descanso
- Não há redução salarial em nenhuma etapa do processo
- O texto busca adaptar o mercado de forma gradual, evitando impactos bruscos para empresas e trabalhadores.
Como fica o trabalho aos sábados e domingos
O trabalho aos sábados e domingos não acaba automaticamente. Atividades essenciais ou que dependem do funcionamento nesses dias continuam autorizadas, como já ocorre hoje. A diferença está na organização da jornada.
Com o fim da escala 6×1, as empresas vão precisar mudar a forma como organizam o trabalho. Todo funcionário terá direito a dois dias de folga por semana. Sempre que der, essas folgas devem ser no sábado e no domingo. Quando isso não for possível, o trabalhador continua tendo os dois dias de descanso, mas em outros dias da semana, seguindo as regras da lei e dos acordos da categoria.
Argumentos e impactos
Para o relator, os efeitos vão além da rotina de trabalho. Segundo Rogério Carvalho, mais de 150 milhões de brasileiros podem se beneficiar direta ou indiretamente, incluindo trabalhadores, famílias e empregadores, com reflexos no consumo e na economia.
No parecer aprovado na CCJ, Carvalho aponta que a jornada 6×1 está ligada ao aumento do cansaço, maior risco de acidentes e prejuízos à saúde física e mental. A mudança, segundo ele, tende a melhorar a qualidade do trabalho e o bem-estar social.





