Esquecer o nome de alguém no meio de uma conversa é comum. A situação acontece em encontros sociais, no trabalho e até entre conhecidos antigos. Ainda assim, quando o episódio se repete com frequência, muita gente passa a se perguntar se há algo errado com a própria saúde mental.
Especialistas explicam que lapsos pontuais fazem parte do funcionamento do cérebro. Porém, quando o esquecimento se torna recorrente, ele pode sinalizar estresse, sobrecarga digital e tensão emocional. Ou seja, o problema nem sempre está na memória em si, mas no contexto em que ela opera.
Memória e estado emocional caminham juntos
A memória não atua isoladamente. Ela depende da atenção, do equilíbrio emocional e do nível de estresse que a pessoa enfrenta no dia a dia. Quando alguém vive sob pressão constante, o cérebro direciona energia para lidar com urgências e deixa em segundo plano informações consideradas menos prioritárias, como nomes próprios.
O psicanalista José Abadí associa lapsos cotidianos à distração e ao estresse emocional. Segundo ele, esquecer nomes não indica, necessariamente, declínio cognitivo. Muitas vezes, o episódio reflete sobrecarga mental e conflitos internos que consomem recursos psíquicos importantes.
Nesse cenário, o cérebro entra em estado de alerta contínuo. Ele resolve demandas imediatas, responde a mensagens, cumpre prazos. Enquanto isso, reduz a capacidade de registrar detalhes que exigem atenção plena. O resultado aparece na conversa seguinte, quando o nome simplesmente não vem à mente.

Hiperconectividade fragmenta a atenção
A hiperconectividade também pesa nessa equação. O uso constante de celulares, redes sociais e notificações fragmenta o foco. A pessoa ouve um nome enquanto pensa em outra tarefa, confere o telefone ou antecipa a próxima reunião. Sem atenção integral, o cérebro não consolida a informação.
Por isso, o esquecimento nem sempre representa perda de memória. Em muitos casos, o nome sequer foi armazenado de forma adequada. A distração, portanto, interfere já no primeiro contato com a informação.
Quando é hora de observar com mais cuidado
Esquecer nomes de forma ocasional é esperado. No entanto, se os lapsos se tornam frequentes e geram preocupação, vale revisar alguns pontos da rotina:
- Qualidade do sono e horas de descanso;
- Nível de estresse no trabalho e na vida pessoal;
- Tempo diário em frente às telas;
- Excesso de tarefas realizadas ao mesmo tempo.
Ao ajustar esses fatores, muitas pessoas percebem melhora no desempenho da memória. Dormir melhor, reduzir estímulos e organizar prioridades ajuda o cérebro a funcionar com mais clareza.
Estratégias práticas para fortalecer a memória
Especialistas recomendam atitudes simples no momento da apresentação. Repetir o nome em voz alta, associá-lo a uma imagem ou característica marcante e manter contato visual favorecem a fixação. Além disso, fazer pausas ao longo do dia e limitar a exposição contínua a dispositivos eletrônicos reduz a sobrecarga cognitiva.
Em resumo, esquecer nomes pode parecer um detalhe banal. Ainda assim, quando o hábito se intensifica, ele pode refletir um ritmo de vida acelerado e emocionalmente desgastante. Observar esses sinais, portanto, ajuda a preservar não apenas a memória, mas a saúde mental como um todo.





