Na Coreia do Norte, assistir a filmes ou séries estrangeiras como a Netflix pode custar a vida. O governo de Kim Jong-un impõe a pena de morte para quem consome esse tipo de conteúdo, e um relatório das Nações Unidas descreve essa regra rígida de forma direta.
O documento aponta a determinação do regime: qualquer pessoa flagrada vendo produções de fora, inclusive em plataformas como a Netflix, enfrenta punição extrema. A orientação segue a lógica de controle total sobre o que cada cidadão acessa, o que reforça o isolamento em relação ao resto do mundo.
Vigilância constante e punições brutais
Nos últimos dez anos, a ONU vem apontando algo preocupante: o domínio do Estado sobre praticamente todos os aspectos da vida dos norte-coreanos só cresceu. A Coreia do Norte funciona como uma ditadura. No cotidiano da população, pesam trabalhos forçados, vigilância sem trégua, fome que nunca desaparece e até campos de concentração.
Relatos mencionam execuções públicas contra quem consome ou compartilha conteúdo estrangeiro, com foco especial em produções sul-coreanas. Desde 2020, essas punições ocorrem com mais frequência e diante de multidões para intimidar e espalhar medo.
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, alerta para um cenário ainda mais duro caso nada mude. Segundo ele, os norte-coreanos enfrentam sofrimento crescente, repressão brutal e um clima de medo que persiste há muito tempo.
Contradições à vista
Enquanto endurece a repressão, o governo anuncia novidades para o turismo. As autoridades apresentaram o resort Wonsan Kalma, na costa leste, como um destino com potencial para receber visitantes e sediar atividades culturais.
Mesmo assim, diversos relatos indicam que a obra avançou às custas da mão de obra local, o que gerou críticas de ativistas e organizações. Para esses grupos, o contraste salta aos olhos: o regime busca projetar modernidade e atrair turistas, mas mantém a própria população sob regras sufocantes.
No fim das contas, a mensagem do relatório das Nações Unidas soa inequívoca. O controle sobre a informação dita o ritmo da vida no país e sustenta práticas que lembram tempos sombrios. Em meio a resorts e promessas de vitrine internacional, a realidade segue dura para quem vive dentro das fronteiras norte-coreanas. Ali, até dar o play em uma série pode se transformar em sentença.





