Uma placa diferente começou a aparecer nas estradas da Espanha e rapidamente virou motivo de discussão. O aviso indica que os motoristas precisam manter 70 metros de distância do veículo da frente. A ideia parece simples, mas a medida já causou confusão e até revolta entre os espanhóis. Nas redes sociais, muita gente chama a novidade de “máquina de multas”.
O modelo é retangular, com fundo azul e dois carros dentro de um círculo vermelho, acompanhado da indicação “70 m”. Essa distância é monitorada automaticamente por radares e câmeras. Quem descumprir a regra paga 200 euros (cerca de R$ 1.200) e perde quatro pontos. Nos casos mais graves, a multa sobe para 500 euros (R$ 3.500) e seis pontos..
Máquina de multas ou cuidado necessário?
O grande problema está em como medir isso no dia a dia. Diferente da velocidade, que aparece no painel do carro, a distância entre veículos não é fácil de calcular. Além disso, se outro carro entrar de repente na frente, o motorista pode ser obrigado a frear bruscamente para tentar manter os 70 metros. Para muitos, isso aumenta ainda mais o risco de acidente.

Advogados também levantam dúvidas. Eles afirmam que a regra abre brecha para questionamentos legais, já que é complicado provar se o motorista tentou ou não respeitar o espaço. Por isso, muita gente vê a placa mais como uma forma de arrecadar do que de garantir segurança.
E como funciona essa placa no Brasil?
Aqui no Brasil, o Código Brasileiro de Trânsito não define uma distância exata em metros. O que a lei exige é que o condutor mantenha espaço suficiente para parar em segurança. O artigo 192 do CTB fala em multa grave para quem não respeitar essa distância, mas a regra é genérica e depende da avaliação do agente ou de radares.
Na prática, existe a chamada regra dos dois segundos: o motorista deve manter, no mínimo, dois segundos de diferença em relação ao carro da frente. Outra forma usada é dividir a velocidade por dois. Por exemplo, a 100 km/h, o ideal seria manter 50 metros de distância. Mesmo assim, pouca gente segue essas recomendações.
Poderia dar certo por aqui?
A realidade brasileira é bem diferente: estradas mal sinalizadas e tráfego intenso dificultam uma regra rígida como a espanhola. Ainda assim, especialistas apontam que uma medida objetiva poderia reduzir colisões traseiras, que em 2024 lideraram as estatísticas, com 13.960 registros, 16.173 feridos e 634 mortes.
Debate necessário
O caso espanhol abre espaço para reflexão: será que vale mais apostar em regras duras e fiscalização tecnológica ou investir em educação no trânsito e melhorias na infraestrutura? No Brasil, onde os números de acidentes seguem altos, esse debate pode ganhar cada vez mais importância.





