A partir de 2026, o mercado de trabalho brasileiro pode passar por uma das mudanças mais amplas das últimas décadas. A proposta de fim da escala 6×1, com adoção gradual da escala de trabalho 5×2, promete alterar a rotina de milhões de profissionais. O texto em discussão no Congresso redefine limites de jornada, amplia o descanso semanal remunerado e força empresas a reorganizarem turnos e equipes.
A nova regra ainda depende de aprovação legislativa, mas já mobiliza setores que hoje operam com funcionamento quase ininterrupto. A expectativa é de impactos diretos, sobretudo em áreas que concentram grande número de trabalhadores sob o modelo 6×1.
O que muda com a nova escala de trabalho 5×2
A proposta traz dois pontos centrais, que redesenham a jornada semanal no país:
- Só poderá trabalhar no máximo 5 dias por semana: Fim da escala 6×1, com jornada máxima de 36 horas semanais, distribuídas em até cinco dias. O limite diário segue em até oito horas, com possibilidade de compensação de horários por acordo ou convenção coletiva.
- Dois dias de folga na semana: Descanso semanal remunerado ampliado, com no mínimo dois dias consecutivos, preferencialmente aos sábados e domingos.
Na prática, o texto reduz o tempo de trabalho e reforça o descanso, algo raro em setores que funcionam à noite, em feriados ou aos fins de semana.
Os 10 setores mais afetados pelo fim da escala 6×1
Algumas áreas concentram a maior parte dos contratos no modelo atual e devem sentir os efeitos primeiro.
- Comércio (varejo)
Depende de funcionamento contínuo e forte presença aos fins de semana, o que exige escalas rotativas. - Supermercados
Operam todos os dias, muitas vezes em horários estendidos, com equipes distribuídas em turnos. - Bares e restaurantes
Trabalho noturno, fins de semana e feriados fazem parte da rotina, o que pode elevar custos com novas contratações. - Postos de combustíveis
Muitos funcionam 24 horas, o que torna a cobertura permanente de turnos um desafio. - Hotelaria
Atividade sem interrupção, com maior demanda justamente nos períodos de descanso da maioria da população. - Serviços essenciais
Incluem segurança, limpeza urbana e abastecimento, áreas que não podem parar. - Hospitais e saúde
Plantões contínuos exigem reorganização cuidadosa das jornadas para manter atendimento integral. - Transporte
Transporte público e logística operam em horários amplos, sobretudo em grandes cidades. - Indústria
Linhas de produção contínua, organizadas por turnos, também entram no radar das mudanças. - Outros serviços essenciais
Energia, saneamento e telecomunicações dependem de escalas permanentes para garantir funcionamento.
Quem tende a sentir menos impacto direto
Algumas categorias seguem regras próprias. Jornalistas, bancários, policiais e médicos já têm jornadas definidas por legislação específica ou convenções coletivas e, por isso, não devem sofrer alterações imediatas.
Como será a transição da jornada
O texto prevê uma adaptação gradual, que pode se estender por até cinco anos. O cronograma funciona assim:
- Até 31 de dezembro do ano de aprovação, a jornada máxima segue em 44 horas semanais, com repouso semanal remunerado preferencialmente aos domingos.
- A partir de 1º de janeiro do ano seguinte, o limite cai para 40 horas semanais, distribuídas em até cinco dias, com dois dias de descanso.
- No segundo ano após a aprovação, a carga semanal começa a ser reduzida em uma hora por ano, até alcançar 36 horas.
Se o Congresso aprovar a proposta, em 2026 o teto semanal já será de 40 horas. Em 2027, cai para 39 horas, com reduções anuais até 2030. Durante todo o período, o limite diário de oito horas permanece, com possibilidade de compensação por acordo coletivo.
A proposta é de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) e tem relatoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE). O debate segue no Congresso, acompanhado de perto por trabalhadores, sindicatos e empresas.





