PUBLICIDADE

Quem contribui para o INSS ao longo da vida quer, no mínimo, ter a segurança de uma aposentadoria digna. Mas, quando se fala em valores, a dúvida é comum: afinal, quanto é preciso pagar por mês para garantir um benefício que chegue a dois salários mínimos ou até ultrapasse esse valor?

A resposta não é tão direta quanto muitos gostariam, mas com um pouco de atenção aos detalhes, dá para entender o caminho e se planejar melhor.

Como o INSS calcula o valor da aposentadoria

A base de tudo está nas contribuições feitas ao longo da vida profissional. O valor da aposentadoria depende da média dos salários sobre os quais você contribuiu, a partir de julho de 1994. Não basta apenas contribuir sobre um valor alto por pouco tempo. O histórico completo conta e conta muito.

PUBLICIDADE

Essa média salarial passa por um cálculo que também leva em consideração o tempo de contribuição e o tipo de aposentadoria. Depois da Reforma da Previdência, esse processo ficou ainda mais rigoroso. É por isso que contribuir acima de dois salários mínimos hoje não garante automaticamente que você vai receber isso no futuro.

Quem contribui, paga quanto?

As regras variam de acordo com o perfil do trabalhador. Veja como funciona para cada categoria:

Trabalhador com carteira assinada

Nesse caso, o desconto acontece direto no contracheque. Em 2025, as faixas de contribuição são progressivas:

PUBLICIDADE
  • 7,5% para quem recebe até R$ 1.518,00
  • 9% para salários entre R$ 1.518,01 e R$ 2.539,50
  • 12% entre R$ 2.539,51 e R$ 3.518,25
  • 14% de R$ 3.518,26 até R$ 7.507,49

Se você já recebe um valor próximo ou acima de dois salários mínimos, está contribuindo proporcionalmente. O ponto-chave aqui é: isso precisa acontecer de forma constante para fazer diferença na média.

Contribuinte individual (autônomo)

Quem trabalha por conta própria tem um pouco mais de liberdade para escolher quanto e como vai contribuir. Existem duas opções:

WhatsApp Receba no WhatsApp as principais notícias
Entre no grupo
  • Plano normal: alíquota de 20% sobre o valor declarado (limitado ao teto do INSS, hoje em R$ 8.157,41).
  • Plano simplificado: alíquota de 11%, mas só sobre o salário mínimo. Aqui, o valor do benefício também se limita ao mínimo.

Se o objetivo é ultrapassar os dois salários mínimos na aposentadoria, o plano normal é o único caminho viável.

Contribuinte facultativo

Esse é o caso de quem não tem renda fixa, como estudantes ou donas de casa, mas ainda assim quer garantir os direitos previdenciários. As opções são parecidas com as do contribuinte individual:

  • 20% sobre qualquer valor, no plano normal.
  • 5% (para quem se encaixa como baixa renda) ou 11% (caso contrário), no plano simplificado.

Vale lembrar: quem escolhe as alíquotas mais baixas não consegue sair do piso da aposentadoria.

E quanto eu preciso pagar de INSS para me aposentar com dois salários?

Em números práticos: em 2025, dois salários mínimos equivalem a R$ 3.036,00. Então, para que a média das suas contribuições alcance esse valor, você precisa contribuir sobre pelo menos esse montante ou mais.

Se você é autônomo e escolhe o plano normal, isso significa desembolsar cerca de R$ 607,20 por mês (20% sobre R$ 3.036).

Já quem trabalha com carteira assinada, e tem um salário dentro ou acima dessa faixa, já está fazendo a contribuição proporcional automaticamente.

O problema é que muita gente contribui sobre dois salários por um curto período e acredita que isso será suficiente. Mas se, nos anos anteriores, pagava com base em um salário mínimo, a média final vai cair e o valor da aposentadoria também.

Só isso basta?

Não exatamente. Mesmo contribuindo com valores mais altos, outros fatores influenciam o cálculo final. O tempo de contribuição, por exemplo, pode reduzir ou ampliar o benefício. Além disso, cada tipo de aposentadoria tem exigências diferentes.

É aí que entra a importância do planejamento. A conta não é só matemática. Ela depende de estratégia. Com a ajuda de um profissional especializado, dá para fazer simulações, entender cenários possíveis e corrigir rumos, se for o caso.

E o teto da aposentadoria do INSS, quanto é?

Para quem quer mirar alto, o teto do INSS também é uma referência importante. Em 2025, o valor máximo que pode ser pago mensalmente a um aposentado é de R$ 8.157,41. Para chegar perto desse número, a exigência é alta: é preciso ter contribuído com o teto durante boa parte da vida profissional.

Já o piso da aposentadoria continua sendo o salário mínimo vigente, hoje em R$ 1.518,00.

Conclusão

Não existe mágica quando o assunto é aposentadoria. Receber mais do que o salário mínimo exige planejamento, regularidade e visão de longo prazo. Contribuir com valor acima de dois salários mínimos ajuda, mas o histórico completo é o que realmente define o resultado.

Antes de tomar qualquer decisão, vale fazer uma revisão do que já foi pago e pensar com clareza nos próximos passos. No fim das contas, sua aposentadoria será o reflexo direto das escolhas feitas ao longo do caminho.

Compartilhar.
Jerffeson Leone

Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.