Pouca gente sabe, mas há bilhões de reais esquecidos em contas de pessoas já falecidas. Esse dinheiro pode ser resgatado pelos familiares, desde que sigam os passos corretos no Sistema de Valores a Receber (SVR), do Banco Central.
A seguir, você confere de forma prática como funciona a consulta, quem tem direito, quais documentos pedir e o que já foi informado sobre os valores parados.
Valores esquecidos: a situação atual
O Banco Central informou que ainda há R$ 10,69 bilhões parados nas instituições financeiras, considerando dados até julho.
- R$ 8,08 bilhões pertencem a 48 milhões de pessoas físicas.
- R$ 2,61 bilhões estão em nome de 4,6 milhões de empresas.
Até agora, o sistema já devolveu R$ 11,33 bilhões que estavam parados em bancos e consórcios.
Embora o prazo oficial para resgatar os recursos tivesse terminado em 16 de outubro de 2024, o Ministério da Fazenda garantiu que não existe limite de tempo para solicitar o resgate.
Quem pode consultar o dinheiro dos falecidos
Nem todo parente pode acessar o sistema. O Banco Central deixa claro que apenas:
- familiares e herdeiros,
- testamentários,
- inventariantes, ou
- representantes legais
podem consultar e dar andamento ao processo.
O site apenas mostra onde está o dinheiro e em qual faixa de valor. O pedido oficial acontece diretamente com o banco ou consórcio responsável. Cada instituição pode exigir documentos além do que o sistema lista, por isso é fundamental falar com o atendimento da instituição para confirmar.
Como fazer a consulta do dinheiro passo a passo
O processo é rápido e pode ser feito pelo celular ou computador:
- O caminho é simples: acesse o site valoresareceber.bcb.gov.br.
- Na tela inicial, clique em “Valores a receber de pessoa falecida” e aceite o Termo de Responsabilidade.
- Depois, digite o CPF e a data de nascimento da pessoa falecida.
O sistema mostra em qual banco ou instituição o dinheiro está, oferece contatos e informa a faixa de valores. Esses valores aparecem divididos em quatro categorias:
- de R$ 0,01 a R$ 10,00
- de R$ 10,01 a R$ 100,00
- de R$ 100,01 a R$ 1.000,00
- acima de R$ 1.000,01
Com essa informação em mãos, o próximo passo é entrar em contato com a instituição financeira e combinar como apresentar a documentação.
O que fazer depois da consulta
Ao identificar algum valor, o familiar precisa procurar o banco ou consórcio. Essa etapa exige documentos como:
- papéis que provem o vínculo familiar ou legal,
- documentos pessoais do solicitante,
- documentos do falecido.
A instituição avalia os documentos e define a forma de pagamento. Em geral, o resgate acontece por meio de chave PIX, mas se o herdeiro não tiver uma cadastrada, pode combinar outra forma de recebimento.
Pedido automático do dinheiro: novidade no sistema
Desde 27 de maio, o Banco Central liberou a opção de ativar o pedido automático de devolução. Essa função está disponível apenas para pessoas físicas e exige:
- conta gov.br de nível prata ou ouro,
- autenticação em duas etapas,
- chave PIX cadastrada com o CPF.
Quando ativada, o sistema libera automaticamente qualquer valor encontrado. O detalhe é que não há aviso do Banco Central: o crédito cai direto na conta cadastrada.
Vale lembrar: essa função não vale para contas conjuntas nem para bancos que não aderiram ao termo de devolução via PIX. Nestes casos, a solicitação continua manual.
Banco Central reforça
Muitos brasileiros deixam passar essa oportunidade por falta de informação. Mesmo quantias menores podem ajudar em momentos apertados, ainda mais quando se trata de herança de um familiar.
O Banco Central reforça que a consulta é gratuita e só pode ser feita no site oficial. Qualquer mensagem de terceiros oferecendo acesso rápido deve ser vista como golpe.
Resumo rápido
- Ainda existem bilhões esquecidos em bancos, inclusive de pessoas falecidas.
- O único site seguro para consulta é o valoresareceber.bcb.gov.br.
- Apenas herdeiros, inventariantes e representantes legais podem pedir.
- O resgate exige contato direto com a instituição responsável.
- Não há prazo final para buscar os recursos.
Vale a pena consultar. Uma simples busca pode revelar um dinheiro que estava esquecido e que, por direito, pertence à família.





