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Nos últimos meses, uma revelação do governo federal deixou o país em alerta. Mais de um milhão de pessoas podem ter mentido no Cadastro Único para receber o Bolsa Família. A revelação acendeu um sinal de alerta e gerou preocupação – afinal, o programa é um dos principais pilares de combate à pobreza no país e sustenta milhões de famílias que dependem dele para viver com um mínimo de dignidade. De um jeito ou de outro, qualquer suspeita de fraude acaba atingindo quem mais depende dele.

A informação veio à tona depois que uma nota técnica da empresa DataBrasil, feita a pedido do portal Poder360, revelou que cerca de 1,4 milhão de famílias teriam omitido o companheiro no momento de preencher o cadastro. Em outras palavras: há famílias que declararam viver apenas com os filhos, mas que, na prática, têm um companheiro com renda formal – algo que muda completamente a situação financeira do grupo perante as regras do programa.

O governo está de olho no Cadatsro Único

De acordo com o levantamento, o problema já aparece em 2.134 municípios, quase 40% das cidades do Brasil. E isso preocupa – e muito. Em vários lugares, o número de famílias que dizem morar sem companheiro é bem maior do que o que mostra o Censo do IBGE.

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Um dos exemplos mais claros é o de Manaus, onde o Bolsa Família registra 184 mil famílias chefiadas por uma só pessoa, enquanto o Censo indica 169 mil. São mais de 15 mil famílias com dados suspeitos.

Na prática, a fraude acontece quando o casal vive junto, mas apenas um deles se declara como responsável pela casa, omitindo o outro. É o caso de uma mulher que diz viver só com os filhos, enquanto o marido – que tem carteira assinada – fica fora do cadastro. O resultado é uma renda familiar “reduzida” artificialmente, o que abre espaço para o benefício ser pago de forma irregular.

Como o governo vai descobrir quem mentiu no Bolsa Família

Nos bastidores, o governo já trabalha em novas formas de fiscalização. Uma das medidas mais recentes que pode ajudar é a Portaria nº 6.545/2025, publicada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. O texto regulamenta o compartilhamento de endereços de clientes de serviços públicos – como energia elétrica, telefonia e internet – com órgãos federais.

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Em resumo, isso deve permitir que o governo cruze os endereços informados no CadÚnico com os dados das contas de luz ou celular. Se duas pessoas afirmam morar em lugares diferentes, mas aparecem registradas no mesmo endereço, o sistema pode acender o alerta.

Vale lembrar: essa portaria não foi criada especificamente para fazer um pente-fino no Bolsa Família, mas pode acabar se tornando uma das ferramentas do governo para cruzar informações e identificar irregularidades no programa. De um jeito ou de outro, ela amplia o poder de verificação do Estado sobre quem realmente tem direito ao benefício.

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O compartilhamento segue as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com o uso de dados anonimizados. Isso significa que a identificação direta só acontece em casos específicos, com autorização dos órgãos competentes.

Por que tanta gente omite informações no Bolsa Família?

Em muitos casos, a resposta é simples: medo de perder o benefício. Há famílias em que o companheiro tem um salário baixo, mas que ainda assim eleva a renda per capita acima do limite de R$ 218. Na tentativa de continuar recebendo o Bolsa Família, alguns acabam “escondendo” a informação, o que, em termos legais, configura fraude ideológica.

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A resposta do governo

Em nota enviada ao Poder 36, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) reconheceu que há falhas, mas lembrou que manter o cadastro atualizado é tarefa das prefeituras. São elas que precisam conferir se as informações passadas pelas famílias estão corretas e agir sempre que encontrarem algo fora do lugar.

Quando há suspeita de fraude, o caso é encaminhado para investigação local. Se a omissão for confirmada, a família pode ser bloqueada, excluída do cadastro e obrigada a devolver o que recebeu indevidamente. É um processo demorado, mas que, aos poucos, pretende limpar o sistema de cadastros falsos.

Em resumo: O Bolsa Família continua sendo uma das políticas sociais mais importantes do Brasil. Mas pra manter essa relevância, é preciso garantir transparência e responsabilidade. De um jeito ou de outro, cada fraude descoberta representa uma oportunidade de corrigir injustiças e fazer o dinheiro público chegar a quem realmente precisa.

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Jerffeson Leone

Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.