O clima de alerta cresceu no setor financeiro depois que o Instituto Nacional do Seguro Social, INSS, suspendeu por tempo indeterminado as novas averbações de crédito consignado vinculadas ao AGIBANK S/A.
A medida saiu nesta terça-feira, 2, depois de uma auditoria da Controladoria-Geral da União revelar um conjunto preocupante de práticas que atingem diretamente milhares de beneficiários.
A CGU mapeou um volume expressivo de contratos averbados sem o consentimento dos titulares, um ponto que já acende um sinal para qualquer consumidor. E a investigação avançou além disso. O órgão encontrou indícios de irregularidades em escala, distribuídas por diferentes operações do banco, o que levantou várias dúvidas sobre a conduta adotada pela instituição nos últimos anos.
O que motivou a suspensão?
O relatório trouxe números que chamam atenção pela gravidade. Entre eles:
- Contratos pós-óbito, um cenário que surpreende até profissionais do setor. A auditoria identificou 1.192 contratos assinados depois da morte dos titulares, registrados no Sirc entre 2023 e 2025. Em 163 desses casos, o benefício já estava encerrado nos sistemas do INSS, o que reforça ainda mais a suspeita de fraude.
- Refinanciamento fraudulento. Um beneficiário de Fortaleza, no Ceará, descobriu sete contratos incluídos em um refinanciamento que ele nunca solicitou. Três desses contratos nem existiam no sistema do INSS. O valor fraudado, R$ 17.073,94, ficou praticamente igual ao “troco” registrado, R$ 17.135,18, que não entrou na conta da vítima.
- Padrão de irregularidade. A CGU encontrou taxas de juros muito abaixo do teto de 1,85% ao mês. Em um primeiro teste, surgiram 5.222 contratos com taxas menores que 0,4%. Um segundo levantamento ampliou o cenário, somando 33.437 contratos com juros abaixo de 1%. Essa diferença acentuada em relação ao mercado indica, segundo os auditores, uma tentativa de driblar mecanismos de controle no momento da averbação.
As informações já seguiram para a Polícia Federal e para a Corregedoria do INSS. A suspensão permanece enquanto o processo administrativo analisa cada ponto levantado pela CGU, garantindo defesa e contraditório.
Nota à Imprensa Agibank
“O Agibank tomou conhecimento da suspensão anunciada pelo INSS sem ter sido previamente comunicado ou mesmo com a oportunidade de apresentar defesa e esclarecimentos.
A instituição reafirma que todos os contratos seguem protocolos rigorosos de segurança, como biometria facial, validação documental e cruzamento de dados em bases oficiais.
O banco desconhece contratações irregulares, mas reforça que em caso de constatação das suas ocorrências, serão adotadas providências para saneamento dos tramites internos, além de absorver integralmente o seu impacto, sem qualquer ônus para clientes ou para o INSS, com ressarcimento integral dos valores envolvidos.
O Agibank já solicitou acesso aos autos ao INSS, a fim de que possa realizar uma análise detalhada dos apontamentos apresentados pela autarquia e pela CGU.
O Agibank informa que todas as demais operações e atendimento seguem funcionando normalmente, incluindo pagamento de benefícios e outros serviços.”





