A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, aprovou projeto de lei que abre portas para uma flexibilidade inédita no dia a dia de trabalhadores: a troca do descanso semanal por motivos religiosos, sem corte no salário e sem ônus extra para o empregador. Na prática, quem descansa no domingo poderá conversar com o patrão e negociar para folgar no sábado.
Como vai funcionar na rotina
O texto afirma que a mudança não reduz o salário do empregado. Além disso, a compensação do período pode ocorrer com mais horas de trabalho durante a semana ou até com turnos extras. Hoje, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê 24 horas consecutivas de folga, geralmente no domingo. No entanto, a proposta inclui o motivo religioso como justificativa para mudar esse dia.
Direito também para servidores públicos
O relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), ampliou o alcance da medida e garantiu que os servidores públicos também recebam esse direito. Além disso, ele inseriu outro ponto importante: o trabalhador pode usar no emprego objetos ligados à fé, como véu islâmico, guias de religiões afro-brasileiras, kipá judaico ou crucifixo. Só uma razão legal clara pode justificar uma restrição.
O autor do projeto, deputado Wolney Queiroz (PDT-PE), explicou que o domingo se consolidou como dia oficial de descanso por influência da tradição cristã. No entanto, ele destacou que outras religiões têm dias diferentes de culto, como judaísmo e islamismo, e precisam de reconhecimento.
Exemplo prático no dia a dia
Durante o debate, a deputada Erika Kokay (PT-DF) lembrou o caso dos adventistas do sétimo dia, que guardam o sábado. Para ela, essa proposta garante que eles mantenham a fé sem abrir mão do emprego. Dessa forma, o trabalhador não precisa escolher entre religião e sustento.
Regras que precisam ser seguidas
O projeto exige que o empregado avise com antecedência quando precisar faltar por motivo religioso. Caso o patrão não aceite a mudança, o trabalhador pode encerrar o contrato e ainda manter todos os direitos já conquistados. Assim, a medida cria mais segurança jurídica.
Além disso, durante entrevistas de emprego, os recrutadores só podem questionar sobre qualificação, experiência e motivação. Perguntas ligadas à religião ficam proibidas, já que representam discriminação.
Próximos passos do projeto
Agora o texto segue para o Senado, a não ser que algum recurso leve a votação ao Plenário da Câmara. Enquanto isso, sindicatos e movimentos sociais acompanham o avanço da medida. Por fim, se a proposta virar lei, o Brasil dará um passo importante para equilibrar fé, trabalho e direitos garantidos por lei.





