Muita gente ainda não sabe, mas o Brasil já começou a usar o pedágio free flow, um modelo que promete mais fluidez no trânsito e menos retenções nas estradas. Nesse sistema, não existem praças tradicionais. Em vez disso, câmeras e antenas identificam os veículos automaticamente, sem que o motorista precise parar. A ideia parecia perfeita: mais agilidade, menos filas e rodovias mais modernas. Mas, na prática, o que se viu foi um número elevado de infrações, já que muitos motoristas não entenderam como funciona o processo de pagamento. O prazo para quitar é de 30 dias, e quem perde esse limite acaba enfrentando uma multa pesada.
Expansão pelo Brasil
O free flow deixou de ser exclusividade de São Paulo e já funciona em estradas de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Outros estados, como Rio de Janeiro, Bahia e Ceará (na região de Fortaleza), estão na lista para receber a tecnologia. O plano é ambicioso: até 2030, apenas em São Paulo, a meta é instalar 58 novos portais, consolidando o sistema como padrão nacional.
Multas em números alarmantes
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a͏ponta͏m que em pouco mais de dois ͏anos foram dados mais de 1͏,26 milhão de multas por pass͏a͏r sem pagar o pedágio na Ro͏dovia Rio-Santos. As autuações se focaram em três locais principais: km 538 ͏(Pa͏raty), km 447 (M͏a͏ngaratiba) e km 414 (Itaguaí). Os números revelam a falta de informação dos motoristas e reforçam a necessidade de campanhas educativas mais claras.
O que acontece se não pagar
Muitos condutores acreditam que a ausência da cabine física significa que não há cobrança. Mas isso é um engano. Pelo Código de Trânsito Brasileiro, a evasão é considerada infração grave. Quem não paga dentro do prazo de 30 dias recebe multa de R$ 195,23 e soma cinco pontos na CNH. O risco maior é que parte dos motoristas nem percebe a dívida, acumulando débitos sem saber.
Como funciona o sistema
O modelo free flow é simples e se assemelha às tags eletrônicas já conhecidas. A identificação pode acontecer de duas formas: por câmeras que registram a placa do veículo ou pelas tags de radiofrequência instaladas no para-brisa. Já o pagamento pode ser feito nos sites e aplicativos das concessionárias ou automaticamente pelas tags.
Adesão crescente às tags
O aumento das autuações fez disparar a busca por tags eletrônicas. O Sem Parar, por exemplo, registrou crescimento de 250% na procura pelos adesivos na BR-101. Além da praticidade, os motoristas se beneficiam de descontos: 5% de redução automática no valor do pedágio e até 70% no programa Desconto de Usuário Frequente (DUF), válido para quem passa mais de 31 vezes no mesmo pórtico no mês.
Pressão política
A enxurrada de multas gerou protestos no Congresso. Um projeto de lei apresentado pelo senador Eduardo Girão (NOVO-CE) sugere suspender as penalidades por um ano, dando tempo para os motoristas se adaptarem. O parlamentar argumenta que, em outros países, é comum haver um período de transição antes de aplicar multas.
O futuro do pedágio
Tudo indica que o free flow veio para ficar. Concessionárias já estudam integrar os sistemas de pagamento, para que o motorista não precise acessar sites diferentes. A tendência é que, com o avanço tecnológico e os incentivos financeiros, o número de multas caia nos próximos anos. Até lá, a dica é clara: se informar sobre o funcionamento, manter as passagens em dia e, se possível, usar as tags para evitar prejuízos.





