O presidente do Centro Cultural Palácio dos Bonecos Gigantes de Olinda, Ronald José Salvador Montenegro, de 55 anos, morreu depois que uma barra de supino caiu sobre o tórax enquanto ele treinava na RW Academia, em Olinda. O acidente ocorreu na segunda-feira (1º) e, em poucos minutos, virou uma tragédia que chocou familiares, amigos e representantes da cultura popular pernambucana.
As câmeras de segurança registraram o momento em que Ronald realizava o supino reto com barra livre. O vídeo mostra ele posicionado no banco e, logo depois, a barra escapando das mãos e atingindo o tórax. Especialistas alertam que esse tipo de exercício exige atenção constante, principalmente com o posicionamento das mãos.
Quem era a vítima
Ronald Montenegro deixou dois filhos, Milena, de 25 anos, e Ronald Junior, de 18. Morador de Jardim Atlântico, trabalhava como profissional autônomo no setor de logística e frequentava academias há mais de 30 anos. Parentes comentam que ele nunca havia sofrido acidentes durante treinos.
Presidente do Centro Cultural Palácio dos Bonecos Gigantes de Olinda, Ronald dedicou a vida à cultura popular. Era um entusiasta do carnaval e um dos responsáveis por manter viva a tradição dos bonecos gigantes que se tornaram símbolo de Olinda.
Como aconteceu o acidente
O vídeo de segurança mostra Ronald fazendo o supino reto com barra livre. A barra escapa, cai com força sobre o tórax, e ele ainda tenta se levantar. Logo depois, cai no chão. Para Lúcio Beltrão, presidente do Conselho Regional de Educação Física da 12ª Região, uma pegada incorreta pode aumentar bastante o risco nesse tipo de exercício, que já exige técnica e acompanhamento.
A movimentação rápida registrada nas imagens levanta uma pergunta inevitável: por que a barra escapou?

O que causou o acidente
As imagens mostram Ronald usando a chamada “pegada suicida”, também conhecida como false grip, quando o polegar não envolve a barra. Nesse formato, o peso se apoia apenas nas palmas e nos dedos, o que reduz a firmeza.
Beltrão esclarece que não há como afirmar oficialmente que a “pegada suicida” provocou o acidente, mas ela amplia os riscos. Ele destaca que exercícios com pesos livres, como o supino e o agachamento, estão entre os mais perigosos porque não têm travas de segurança. Por isso, a supervisão profissional constante continua essencial.
Como ocorreu e qual foi a causa da morte
O cirurgião torácico Rafael Tavares explicou que o impacto atingiu a Zona de Ziedler, área sensível do corpo por concentrar estruturas cardíacas e vasos vitais. Uma pancada direta ali pode causar lesões graves e evolução rápida para parada cardiorrespiratória.
Ronald chegou à academia por volta das 19h50. Às 20h05, familiares receberam a ligação informando o acidente. Ele foi levado à UPA de Rio Doce, mas não resistiu aos ferimentos. A morte foi comunicada por volta das 20h30.
O caso está sendo investigado?
A Polícia Civil registrou o caso como morte acidental na Delegacia de Rio Doce. Ainda não há confirmação sobre depoimentos. O laudo oficial, até a última atualização desta reportagem, segue em elaboração. A investigação deve ajudar a entender se houve falha humana, técnica ou casualidade extrema.
O que diz a academia
A RW Academia, unidade de Jardim Atlântico, informou que prestou atendimento imediato e acionou socorro especializado. A empresa afirmou que mantém a equipe treinada em primeiros socorros e que todos os professores têm formação na área.
A academia respondeu aos questionamentos da seguinte forma:
- prestou atendimento imediato e acionou o socorro especializado
- possui registro no Conselho Regional de Educação Física
- realiza treinamentos periódicos de primeiros socorros
- mantém professores formados em todos os horários de funcionamento
Em nota, a empresa lamentou profundamente a perda, classificando o episódio como uma fatalidade que abalou funcionários e alunos.
Em nota, o centro cultural lembrou que Ronald era um criador apaixonado pela cultura local. A agremiação O Homem da Meia-Noite também lamentou a perda, destacando a ligação do carnavalesco com o frevo e com os símbolos que marcam a identidade pernambucana.





