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O consumo de carne no Brasil sempre foi cercado de tradições, mas alguns cortes passaram por uma transformação curiosa nos últimos anos. Eles ganharam nomes mais “sofisticados” e, de quebra, preços bem mais altos.

A seguir, três exemplos que mostram como uma simples troca de rótulo consegue alterar a percepção — e o valor — de produtos que antes eram muito mais acessíveis.

1. A maçã de peito virou “brisket”

Durante décadas, a maçã de peito, também chamada de ponta de peito ou granito, esteve entre os cortes mais baratos nas prateleiras dos açougues. Era a carne que muitos compravam para cozinhar lentamente, fazer ensopados ou moer. Simples assim.

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Mas veio a onda da gastronomia americana, o universo do churrasco “low and slow”, e esse mesmo corte ganhou um novo nome: brisket. Só isso. O resultado? Preços que antes eram modestos passaram a superar facilmente os R$ 100,00 por quilo quando o corte vem de raças mais valorizadas, como o nelore, cujo preço pode ultrapassar os R$ 50,00 apenas pela mudança de apresentação.

O curioso é que a carne continua sendo a mesma. O que mudou foi o apelo comercial. E o consumidor sente no bolso.

2. O set da paleta virou “shoulder” ou “flat iron”

Outro corte que passou por essa maquiagem gourmet é o set da paleta, também conhecido como raquete. Quando vendido inteiro, continua sendo um corte econômico. Porém, basta fatiá-lo de um jeito específico e dar ao produto um nome importado para o preço subir.

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Hoje, cortes apresentados como shoulder ou flat iron figuram entre as opções mais valorizadas nos açougues especializados. São macios e realmente saborosos, mas não deixam de ser paleta, uma carne que tradicionalmente sempre custou bem menos.

Por que isso acontece? Simples: apresentação, marketing e a força das tendências culinárias.

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3. A bananinha virou “amendoim do churrasco”

A bananinha é talvez o caso mais simbólico dessa mudança. Durante muito tempo, foi uma das carnes mais baratas e pouco procuradas. Até que ganhou um novo apelido na internet: amendoim do churrasco.

A partir daí, o preço disparou. O que antes custava cerca de R$ 20,00 o quilo agora pode facilmente passar dos R$ 50,00 em algumas regiões.

Esse salto não ocorreu por causa de técnicas de produção mais caras ou maior escassez. O fenômeno é puramente comercial, movido pela estética das redes sociais e pelo interesse crescente em cortes “diferentões”.

A discussão ganha ainda mais peso quando lembramos que quem trabalha no setor, como muitos açougueiros experientes, acompanha essa transformação desde os tempos em que cortes nobres como a alcatra custavam menos de R$ 10,00. São relatos que reforçam a percepção: em vários casos, a mudança de nome valeu mais do que a própria carne.

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Emerson Igor

Emerson Igor é estudante de Jornalismo, com dedicação à produção de conteúdos informativos e análise crítica dos fatos, sempre buscando transmitir notícias de forma clara, objetiva e responsável.