A Polícia Civil voltou a acender o alerta sobre um golpe que tem se espalhado pelo país e atingido cada vez mais pessoas: o do falso advogado. Criminosos estão se passando por profissionais do direito ou funcionários de escritórios de advocacia para enganar vítimas com promessas de liberação de valores judiciais. A abordagem, feita quase sempre por telefone ou WhatsApp, parece convincente, mas termina em prejuízo.
Eles se apresentam de forma segura, falam com propriedade e usam dados reais para ganhar a confiança da vítima. Dizem que o dinheiro está disponível, bastando apenas o pagamento de uma taxa para a liberação. O detalhe é que esse valor precisa ser depositado imediatamente, geralmente via Pix. E, assim que o pagamento é feito, o golpista desaparece.
Como o golpe é aplicado
A estratégia não é improvisada. Os golpistas utilizam informações obtidas em fontes públicas, como número de processos, CPF e até dados de ações reais, para montar uma história convincente. Em muitos casos, eles enviam documentos falsificados com logotipos e assinaturas que imitam os de órgãos oficiais.
O contato costuma começar com uma mensagem educada: “Boa tarde, aqui é do escritório que está cuidando do seu processo”. Em poucos minutos, o tom muda para algo mais urgente. O criminoso cria uma sensação de pressa, dizendo que o valor está prestes a expirar ou que o prazo para receber o dinheiro termina naquele dia. É nesse ponto que as vítimas acabam cedendo.
De acordo com as investigações, os fraudadores também se aproveitam de situações em que há expectativa real de recebimento como indenizações trabalhistas, precatórios ou ações antigas. Ao misturar dados verdadeiros com mentiras bem elaboradas, conseguem enganar até pessoas experientes.
Táticas de convencimento
O golpe se apoia em três pilares principais: pressão psicológica, aparência de legitimidade e urgência. Essa combinação leva muitas pessoas a agirem sem checar as informações.
Alguns exemplos das táticas mais usadas incluem:
- Criar uma situação de urgência, alegando que o dinheiro “só pode ser liberado hoje”.
- Enviar documentos e comprovantes falsos, com selos e assinaturas que parecem autênticos.
- Usar linguagem técnica, citando termos jurídicos e nomes de juízes ou órgãos públicos.
- Exigir pagamentos rápidos via Pix, explorando a agilidade e a dificuldade de reverter a transação.
Essas estratégias são estudadas. Os golpistas dominam a fala e sabem como conduzir a conversa para não levantar suspeitas.
Como evitar ser enganado
A principal recomendação das autoridades é simples, mas eficaz: nunca fazer pagamentos antecipados para liberar valores judiciais. Nenhum advogado sério ou órgão público exige esse tipo de depósito.
Além disso, é importante:
- Confirmar a informação diretamente com o advogado responsável pelo processo.
- Consultar o site da OAB, verificando se o profissional realmente existe e está ativo.
- Desconfiar de contatos inesperados que pedem dinheiro com urgência.
- Evitar compartilhar dados pessoais com desconhecidos por mensagem ou ligação.
Pequenas atitudes de verificação podem evitar grandes prejuízos.
A reação das autoridades
Com o aumento de casos, as delegacias especializadas em crimes cibernéticos intensificaram as investigações. A Polícia Civil afirma que quadrilhas organizadas estão por trás das fraudes, atuando em diferentes estados. Cada membro desempenha uma função: uns coletam dados, outros fazem contato com as vítimas, enquanto parte do grupo gerencia as contas bancárias usadas para receber os pagamentos.
As polícias estaduais têm feito campanhas de conscientização, especialmente nas redes sociais, para alertar sobre o golpe. O objetivo é frear a ação dessas quadrilhas e incentivar que as vítimas denunciem.
Quando o prejuízo já aconteceu
Quem percebe que caiu no golpe deve procurar uma delegacia o quanto antes e registrar um boletim de ocorrência. É essencial reunir o máximo de provas: mensagens, áudios, prints e comprovantes de transferência. Esses dados ajudam a rastrear o dinheiro e identificar os envolvidos.
As vítimas relatam perdas que vão de pequenas quantias até valores expressivos, muitas vezes poupados por anos. Além do impacto financeiro, há o abalo emocional a sensação de ter sido enganado por algo que parecia legítimo.
Especialistas destacam que a denúncia é fundamental para evitar novos casos. Quanto mais informações chegam à polícia, maior é a chance de desmontar as quadrilhas e proteger outras pessoas.
A Polícia Civil reforça o alerta: qualquer promessa de liberação de dinheiro rápido, mediante pagamento antecipado, deve ser vista com desconfiança. O golpe se apoia justamente na pressa e na boa-fé das vítimas. Em tempos de comunicação digital e golpes cada vez mais sofisticados, a atenção continua sendo o melhor escudo.





