Um motorista suíço foi surpreendido com uma multa de trânsito no valor de 100 mil francos suíços, cerca de R$ 633 mil. O caso, que repercutiu na imprensa europeia, não ganhou atenção apenas pelo valor em si, mas pela forma como foi calculado: com base na renda do infrator.
O homem, dono de um BMW Série 5 e patrimônio milionário, foi flagrado dirigindo perigosamente próximo a outro carro numa rodovia local. Tentou recorrer, mas o Tribunal Federal da Suíça rejeitou o pedido. Resultado? Além da multa, ele teve que desembolsar mais 13 mil francos (algo em torno de R$ 82 mil) só para cobrir as custas do processo.
O episódio ganhou destaque no portal suíço 20 Minuten, que reforçou a ideia por trás da punição: aplicar multas que realmente façam diferença, especialmente para quem tem muito dinheiro.
No Brasil, um novo Projeto de Lei quer mudar forma de computar multas
Hoje, mesmo a infração mais grave registrada por aqui gera, no máximo, uma multa de R$ 17.608,20. Um valor alto, sem dúvida, mas ainda assim distante do que paga quem possui carros de luxo. Para esses motoristas, em muitos casos, a penalidade não dói no bolso, nem na consciência.
É justamente nesse ponto que entra o novo Projeto de Lei 78/25, em discussão na Câmara dos Deputados. A proposta, assinada por Kiko Celeguim (PT-SP), sugere uma mudança importante: vincular o valor da multa ao preço de mercado do veículo utilizado na infração.
Em vez de tabelas fixas, o cálculo seria proporcional. Quanto mais caro o carro, maior a multa. O argumento é promover justiça, e não apenas punir por punir.
Um passo na direção da equidade
O sistema suíço vai além e calcula as multas com base na renda declarada do infrator. Já no Brasil, a proposta considera apenas o valor do carro. Ainda assim, a lógica se aproxima.
Na prática, a mudança ajudaria a equilibrar o impacto das multas para motoristas de diferentes faixas econômicas. Afinal, pagar R$ 2 mil por uma infração pesa muito mais para quem ganha um salário mínimo do que para quem possui um SUV importado na garagem.
Para quem acompanha o tema de perto, o projeto abre caminho para uma transformação necessária. O atual modelo, engessado e desproporcional, já não atende à complexidade da realidade social brasileira.
Nem todos veem com bons olhos
Como era de se esperar, a proposta enfrenta resistência. Parte dos críticos teme que o novo sistema acabe gerando confusão, insegurança jurídica ou até disputas judiciais. Outros argumentam que não se pode penalizar o cidadão com base no valor de um bem, e sim na gravidade da infração.
Mesmo assim, a discussão avança. O assunto está na pauta e deve seguir em debate nos próximos meses. A ideia vem ganhando apoio, especialmente entre especialistas em mobilidade urbana e justiça fiscal.
O trânsito muda quando a regra vale para todo mundo
A história do motorista suíço viralizou porque é incomum, mas também porque escancara um ponto central: não adianta ter lei se ela não alcança todos com o mesmo peso.
Enquanto isso, por aqui, o Brasil observa. A possível mudança na legislação pode até parecer radical à primeira vista, mas talvez seja o tipo de sacudida que o trânsito nacional esteja precisando.





