O INSS decidiu interromper temporariamente o Programa de Gerenciamento de Benefícios, criado para acelerar a análise de aposentadorias, pensões e auxílios. A decisão partiu do presidente do órgão, Gilberto Waller Jr., após a constatação de que não há mais recursos suficientes para manter o pagamento das bonificações oferecidas aos servidores.
O programa vinha ajudando a reduzir a enorme fila de mais de 2,6 milhões de pedidos que aguardam resposta em todo o país. Com a pausa, a tendência é que os prazos voltem a se alongar e o ritmo das análises diminua nas próximas semanas.
Como funcionava o PGB
O programa foi criado para substituir o antigo Programa de Enfrentamento à Fila da Previdência Social, encerrado no fim de 2024. A proposta era oferecer uma bonificação extra a quem conseguisse analisar mais processos do que a meta diária.
Os servidores recebiam R$ 68 por cada requerimento adicional, enquanto os peritos médicos ganhavam R$ 75. A participação era voluntária e não afetava o trabalho normal nas agências. Com isso, o número de reavaliações cresceu rapidamente e os resultados começaram a aparecer nos primeiros meses de funcionamento.
Entre as prioridades estavam os processos parados há mais de 45 dias, casos com prazo judicial vencido e avaliações sociais do Benefício de Prestação Continuada, que é destinado a idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de baixa renda.
Quando o programa começou
O Programa de Gerenciamento de Benefícios entrou em vigor em 15 de abril de 2025. O texto previa uma duração inicial de 12 meses, com possibilidade de prorrogação até dezembro de 2026. Desde o início, o programa foi considerado uma ferramenta importante para destravar o acúmulo de pedidos e melhorar o atendimento ao público.
Servidores relataram que o incentivo financeiro aumentava a produtividade e ajudava a dar vazão a casos antigos, especialmente nas regiões onde o número de funcionários é reduzido.
Motivo da suspensão
De acordo com informações do portal g1, o presidente do INSS enviou um ofício ao Ministério da Previdência Social (MPS) solicitando R$ 89,1 milhões em suplementação orçamentária para garantir a continuidade do programa.
Sem o repasse dessa verba, o pagamento das bonificações se tornou inviável. Por isso, o INSS optou por suspender o PGB até que haja uma definição sobre os novos recursos.
Durante o período de pausa, o documento determina que nenhuma nova tarefa extraordinária seja iniciada. Além disso, os processos que estavam sendo avaliados dentro do programa devem voltar para a fila comum. O mesmo vale para os atendimentos do Serviço Social fora do horário normal, que deverão ser ajustados ou suspensos temporariamente.
O impacto para quem está na fila
Com a suspensão, o INSS volta a depender apenas do trabalho realizado dentro da rotina das agências. Isso deve aumentar o tempo de espera para quem aguarda aposentadoria, pensão, auxílio ou BPC.
Atualmente, há mais de 2,6 milhões de solicitações em análise. O PGB vinha sendo uma forma de aliviar essa sobrecarga, especialmente nas regiões onde o número de servidores é pequeno.
A interrupção também pode atrasar as perícias médicas e as reavaliações sociais do BPC, já que boa parte dessas tarefas era executada dentro do programa de produtividade.
O que pode acontecer agora
O futuro do programa depende da liberação dos R$ 89 milhões solicitados pelo INSS. Se o orçamento for aprovado, o PGB pode ser retomado e os servidores voltarão a receber a bonificação pelas análises extras.
Enquanto isso, os pedidos continuam sendo processados no ritmo normal, o que preocupa os segurados que já esperam há meses por uma resposta.
A suspensão do PGB mostra o desafio que o governo enfrenta: manter o funcionamento do sistema previdenciário com recursos limitados, sem deixar de atender milhões de brasileiros que dependem desses benefícios para sobreviver.
O momento exige equilíbrio entre gestão e sensibilidade social. Afinal, cada pedido parado na fila representa uma família esperando por segurança financeira e dignidade.





