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O governo federal decidiu mexer numa das regras mais antigas do trânsito brasileiro. A ideia é simples, mas pode acabar com a obrigação de passar por autoescola para tirar a Carteira Nacional de Habilitação nas categorias A e B, que valem para motos e carros.

A proposta promete reduzir os custos em até 80%, mas o texto ainda vai passar por uma consulta pública de 30 dias na plataforma Participa + Brasil, aberta para comentários de qualquer cidadão.

Como será o processo para tirar a CNH?

1- Na prática, o novo modelo vai permitir que o candidato escolha como quer se preparar. O processo começa pelo site da Secretaria Nacional de Trânsito ou pelo aplicativo da Carteira Digital de Trânsito.

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2- Os exames médicos, psicológicos e as provas teórica e prática continuam obrigatórios, mas a forma de estudo e de treinamento será livre. O objetivo é deixar o caminho menos burocrático e mais acessível, principalmente para quem mora longe ou não tem condições de pagar uma autoescola tradicional.

3- O curso teórico, que hoje exige 45 horas presenciais, deixará de ter carga horária mínima. O conteúdo continuará obrigatório, mas poderá ser feito online, em plataformas gratuitas oferecidas pelo governo. O candidato estuda quando puder, no seu tempo, e depois faz a prova teórica, que poderá ser aplicada presencialmente ou até de forma remota, com supervisão digital.

4- Depois dessa etapa, vem a parte prática. O candidato poderá fazer aulas com instrutores autônomos credenciados pelos Detrans ou continuar com as autoescolas, que passam a ser uma opção, e não uma obrigação. A diferença é que cada pessoa decide quantas aulas precisa antes de se sentir pronta para o exame final. Essa mudança deve beneficiar muita gente que vive em cidades pequenas, onde o acesso a centros de formação é difícil e o custo pesa no bolso.

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Como vai funcionar na prática para tirar a CNH com aulas online e instrutor credenciado

  • Cadastro inicial pelo site da Senatran ou no app da Carteira Digital de Trânsito;
  • Realização de exames médicos e psicológicos;
  • Estudo do conteúdo teórico em plataforma online gratuita;
  • Prova teórica presencial ou remota;
  • Aulas práticas com instrutor credenciado ou autoescola tradicional;
  • Exame prático final para obter a Permissão para Dirigir.

Instrutores autônomos e novas formas de aprendizado

Os novos instrutores independentes, que estão sendo chamados de “personal de trânsito”, deverão passar por um credenciamento junto ao Detran e por uma capacitação específica. Eles vão oferecer aulas práticas personalizadas, com agendamento direto pelo celular. O aluno poderá escolher o instrutor, combinar os horários e pagar online, tudo de forma simples e segura.

As autoescolas não vão deixar de existir, mas devem mudar o perfil de atuação. A tendência é que ofereçam pacotes completos para quem prefere um acompanhamento mais próximo, além de serviços extras, como aulas com simulador e reforços para quem precisa ganhar confiança ao volante.

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Quem será atendido primeiro

Por enquanto, a mudança vale apenas para as categorias A e B. O governo ainda vai estudar a ampliação para os veículos maiores, como caminhões e ônibus, mas isso deve acontecer numa segunda etapa. A consulta pública termina em novembro e, se não houver grandes mudanças, a nova regra pode começar a valer logo em seguida. Com o novo formato, o governo espera facilitar a vida de quem precisa da habilitação para trabalhar, principalmente jovens e entregadores.

O que dizem as partes envolvidas

O ministro dos Transportes, Renan Filho, defende a proposta e afirma que a intenção é dar liberdade de escolha para o cidadão. Segundo ele, a autoescola continuará sendo importante, mas não pode ser a única opção. “Queremos manter a qualidade e a segurança, mas sem obrigar ninguém a pagar caro por um curso que pode ser feito de outro jeito”, afirmou.

Já as federações de autoescolas demonstram preocupação. De acordo com a Feneauto, a medida pode afetar mais de 300 mil empregos diretos e indiretos. Eles pedem uma transição mais lenta e fiscalização rígida para garantir que os novos motoristas recebam formação adequada e segura.

Já os especialistas em trânsito destacam que, se bem fiscalizado, o projeto pode reduzir a burocracia, gerar economia e abrir espaço para inovação. A principal preocupação é garantir que os instrutores autônomos sejam realmente qualificados e que o controle de qualidade continue firme para evitar acidentes e condutores despreparados.

Brasil vai entrar numa nova fase da formação de motoristas

Durante os 30 dias de consulta pública, qualquer pessoa pode entrar na plataforma Participa + Brasil e enviar sugestões. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) vai analisar as contribuições e decidir se o texto final precisa de ajustes. Se tudo correr dentro do cronograma, a nova regra poderá começar a valer ainda neste ano.

Se isso acontecer, o Brasil entra numa nova fase da formação de motoristas. Um modelo mais moderno, menos burocrático e, principalmente, mais justo com quem quer dirigir sem gastar tanto. A promessa é facilitar o acesso, garantir a segurança e abrir espaço para que cada cidadão escolha o melhor caminho até a sua habilitação.

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Yanara Cardeal

Yanara Cardeal é formada em jornalismo desde 2009, pós-graduada em Comunicação Corporativa e especialista em jornalismo digital. Atualmente no Portal N1N, se destaca pela produção de conteúdo informativo, voltado ao jornalismo digital e à cobertura de temas de interesse público.