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O governo federal anunciou nesta sexta-feira (10), em São Paulo, um novo modelo de crédito pra compra da casa própria. A ideia é simples: liberar mais dinheiro dos bancos, dar fôlego à construção civil e abrir espaço pra famílias de classe média que há tempos estavam travadas no financiamento.

O anúncio foi feito num evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro das Cidades, Jader Filho, e o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira. As novas regras começam a valer em 2025, mas a virada completa acontece mesmo em janeiro de 2027. Até lá, o sistema passa por uma transição pra deixar tudo pronto e seguro.

Mais liberdade pros bancos, mais crédito pra população conquistar a casa própria

Hoje, os bancos precisam usar 65% do dinheiro da poupança pra financiar imóveis. Outros 15% ficam livres e 20% vão direto pro Banco Central. O problema é que essa estrutura acabou engessando o crédito — ainda mais com a queda nos depósitos da poupança, que somavam R$ 755 bilhões em setembro deste ano.

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Agora, o jogo muda. O governo vai liberar gradualmente essas amarras, dando mais liberdade pros bancos emprestarem. Na prática, isso significa mais crédito circulando, juros mais competitivos e mais famílias com chance de sair do aluguel.

Entre as principais mudanças:

  • o limite do valor financiado pelo SFH sobe de R$ 1,5 milhão pra R$ 2,25 milhões;
  • o SBPE volta a cobrir até 80% do valor do imóvel;
  • até 5% do saldo da poupança aplicado em crédito habitacional pode ser abatido dos depósitos obrigatórios no Banco Central.

Essas medidas aliviam custos e ajudam quem tem renda acima de R$ 12 mil mensais — um público que vinha ficando no meio do caminho: ganhando demais pro Minha Casa, Minha Vida e de menos pra financiar nas regras do mercado aberto.

Novo crédito para casa própria vai fazer o dinheiro circular

A verdade é que o crédito imobiliário vinha perdendo força. Muita gente sacou da poupança nos últimos meses foram mais de R$ 78 bilhões em retiradas até outubro. Com menos recursos, os bancos passaram a usar opções mais caras, como LCIs e CRIs, o que encareceu o financiamento pro consumidor.

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Com o novo modelo, a história muda de figura. O governo libera já em 2025 cerca de R$ 36,9 bilhões em novos financiamentos, sem mexer na remuneração de quem deixa o dinheiro na poupança. Segundo o Banco Central, o total de recursos disponíveis pode chegar a R$ 111 bilhões no primeiro ano. Um empurrão e tanto.

Transição até 2027 e mais concorrência

Essa mudança não será de um dia pro outro. A transição vai de 2025 até 2027. Nesse período, os bancos vão se adaptar às novas regras e o compulsório — o dinheiro que fica parado no Banco Central — cai de 20% pra 15%.

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A Caixa, que responde por cerca de 70% dos financiamentos habitacionais no país, será a primeira a entrar no novo sistema. Outros bancos também podem aderir, o que deve aumentar a concorrência e puxar os juros pra baixo.

Na prática, quanto mais bancos disputarem esse mercado, melhor pra quem quer financiar. É o tipo de movimento que costuma mexer com todo o setor.

Juros controlados e foco na classe média

O teto do SFH agora passa pra R$ 2,25 milhões, valendo pra imóveis novos e usados. Os juros continuam limitados a 12% ao ano mais a TR, bem abaixo da Selic, que hoje gira em torno de 15%.

A Caixa calcula financiar até 80 mil novos imóveis já em 2025, atendendo cerca de 120 mil famílias. É um número que pode parecer técnico, mas representa um impacto direto: mais gente saindo do aluguel, mais obra sendo levantada e mais emprego sendo gerado no país.

Segundo o presidente do banco, Carlos Vieira, os primeiros testes do novo sistema começam ainda neste semestre. “Queremos garantir que tudo funcione direitinho e que o crédito chegue pra quem precisa”, afirmou.

O que disseram as autoridades

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, explicou que a ideia é “aproveitar melhor o dinheiro que já existe na poupança, sem elevar os juros”.
Jader Filho, ministro das Cidades, destacou que a proposta “abre novas portas pra famílias de classe média que estavam sem opção de crédito acessível”.
Já o presidente Lula resumiu o espírito da medida: “A casa própria é o maior sonho do trabalhador brasileiro, e a gente precisa criar caminhos pra que esse sonho seja possível”.

Efeito no emprego e na economia

O novo crédito também é visto como motor de crescimento. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Renato Correia, lembra que cada obra movimenta dezenas de setores — do pedreiro ao fornecedor de materiais. “Essas mudanças devem gerar até 2,8 milhões de empregos por ano e dar novo fôlego à economia”, afirmou.

Além disso, o governo quer integrar o novo modelo ao FGTS, pra ampliar o acesso ao crédito em diferentes faixas de renda e garantir sustentabilidade pro sistema.

Um novo ciclo pro sonho da casa própria

O país atravessa um momento em que o crédito está caro e a poupança perdeu força. A aposta do governo é equilibrar o jogo: destravar o dinheiro parado, aumentar a concorrência e manter juros sob controle.

Se tudo correr como planejado, o Brasil pode entrar num novo ciclo de construção e moradia — com mais famílias realizando o sonho da casa própria e o setor da construção civil puxando a retomada da economia.

Mais crédito, mais empregos e mais gente com a chave na mão. É essa a promessa do novo modelo.

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Yanara Cardeal

Yanara Cardeal é formada em jornalismo desde 2009, pós-graduada em Comunicação Corporativa e especialista em jornalismo digital. Atualmente no Portal N1N, se destaca pela produção de conteúdo informativo, voltado ao jornalismo digital e à cobertura de temas de interesse público.