PUBLICIDADE

A partir de 1º de novembro, o saque-aniversário do FGTS vai mudar — e não é pouca coisa. O governo decidiu colocar limites no valor e no número de parcelas que podem ser antecipadas nos bancos. Além disso, criou novas regras de carência e restringiu quantas vezes o trabalhador poderá pedir o adiantamento ao longo do ano.

Pode parecer detalhe, mas essa mudança vai mexer com a rotina de milhões de brasileiros que usam o saque-aniversário pra aliviar as contas.

A proposta, aprovada pelo Conselho Curador do FGTS, tem um objetivo bem direto: frear o endividamento e garantir que o dinheiro do fundo sirva pra o que realmente importa — ajudar o trabalhador, e não virar lucro de banco.

PUBLICIDADE

O que vai mudar no FGTS

1ª mudança: A partir de 1º de novembro, o valor do empréstimo ficará entre R$ 100 e R$ 500 por parcela, com limite de cinco parcelas por ano. Ou seja, o trabalhador poderá antecipar até R$ 2,5 mil em 12 meses. Mas o governo já avisou que isso não vai durar pra sempre. A partir de novembro de 2026, o número máximo cai pra três parcelas anuais, com os mesmos valores por saque.

2ª mudança:  Outra mudança importante: só será possível fazer uma operação por ano. Antes, muita gente fazia várias e acabava se enrolando. Agora, o governo quer dar um tempo entre uma antecipação e outra, pra evitar o acúmulo de dívidas.

3ª mudança: E tem mais: quem aderir ao saque-aniversário vai precisar esperar 90 dias pra poder antecipar o valor. Essa carência é uma forma de conter o impulso de quem, muitas vezes, faz o empréstimo no mesmo dia em que entra na modalidade.

PUBLICIDADE

Como era antes e por que isso muda tudo

Até agora, tudo era mais solto. Não existia limite de parcelas, nem teto de valor, nem carência. O trabalhador podia antecipar quantas vezes quisesse — e foi aí que começou o problema.

Segundo o Conselho Curador, a média dos contratos era de R$ 1,3 mil por operação, com oito parcelas em média. E o mais preocupante: 26% das pessoas faziam o empréstimo no mesmo dia em que aderiam ao saque-aniversário.

WhatsApp Receba no WhatsApp as principais notícias
Entre no grupo

Com a nova regra, o governo quer acabar com essa lógica do “adianta hoje, paga depois”. A ideia é reduzir a dependência do crédito fácil e proteger o fundo de garantia, que também serve pra financiar habitação, saneamento e obras de infraestrutura.

Por que o governo decidiu mudar

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, tem sido direto: o saque-aniversário, do jeito que está, acabou virando uma porta de entrada pro endividamento. Em vez de servir como ajuda emergencial, ele virou um tipo de “empréstimo automático” que tira poder do trabalhador e enfraquece o fundo.

Além disso, o governo se preocupa com o uso indevido dos recursos. Tem gente, por exemplo, que antecipa pequenas quantias — às vezes R$ 100 — pra gastar em apostas e jogos online. Esse comportamento, segundo o ministério, tem crescido e precisa ser controlado.

Outro ponto é a situação de quem é demitido sem justa causa. Quem escolhe o saque-aniversário perde o direito de sacar o saldo total da conta do FGTS, ficando apenas com a multa de 40%. É um risco que muitos aceitam sem perceber as consequências.

Mais dinheiro direto pro trabalhador

Com o novo modelo, o governo calcula que, até 2030, cerca de R$ 86 bilhões deixarão de ir pros bancos e ficarão diretamente nas mãos dos trabalhadores. O impacto disso deve ser grande: mais consumo, mais poupança e menos endividamento.

Hoje, 21,5 milhões de brasileiros já aderiram ao saque-aniversário — o equivalente a 51% das contas ativas do FGTS. Desses, 70% já fizeram antecipações, movimentando entre R$ 102 bilhões e R$ 236 bilhões desde 2020.

Pra o governo, chegou a hora de colocar freio nesse volume e retomar o equilíbrio do fundo.

Como o saque-aniversário do FGTS funciona

Criado em 2019, o saque-aniversário permite retirar uma parte do saldo do FGTS todos os anos, no mês do aniversário. É uma opção voluntária, mas vem com uma limitação importante: quem escolhe essa modalidade não pode sacar todo o saldo se for demitido, podendo pegar apenas a multa rescisória.

No início, a proposta parecia vantajosa. Mas, com o tempo, virou uma porta aberta pro crédito. E, na prática, muitos brasileiros começaram a gastar hoje o dinheiro que só teriam no futuro. Agora, com as novas regras, o governo quer dar um passo atrás pra proteger o trabalhador. A ideia é simples: fazer o FGTS voltar a ser o que sempre foi — uma reserva de segurança, não um empurrão pro endividamento.

Compartilhar.
Jerffeson Leone

Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.