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Falar de trabalho em domingos e feriados mexe com a rotina de muita gente. Não é difícil entender: enquanto alguns aproveitam o descanso, fazem aquele almoço em família ou simplesmente tiram o dia pra relaxar, milhares de trabalhadores brasileiros seguem na ativa. Uns no comércio, outros em serviços que não podem parar de jeito nenhum. Mas a partir de 2026,  novas regras vão mudar a forma como patrões e trabalhadores encaram esses dias.

O Governo Federal confirmou a decisão: a Portaria nº 3.665/23 começa a valer em 1º de março de 2026. Segundo o ministro Luiz Marinho, o prazo extra foi dado para que empresas e sindicatos consigam se organizar com calma, sem precisar correr contra o tempo.

Como é trabalhar domingos e feriado hoje?

Hoje, muitas empresas conseguem abrir em domingos e feriados com base no contrato de trabalho ou em regras locais. Em alguns casos, basta o patrão colocar no contrato que o funcionário pode ser escalado nesses dias.

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Só que isso vai mudar. A partir de 2026, para funcionar em feriados, o comércio precisará de um acordo coletivo entre empregadores e sindicatos, além de respeitar o que dizem as leis municipais.

Trabalho aos domingos: quem pode abrir?

É preciso separar domingos de feriados.

Nos domingos, algumas atividades são consideradas essenciais e podem funcionar normalmente, mesmo sem acordo coletivo. Entre elas:

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  • Saúde: hospitais, clínicas, farmácias e laboratórios;
  • Transporte: ônibus, metrô, trem, avião e transporte marítimo;
  • Segurança: polícia, bombeiros e vigilância;
  • Serviços funerários: cemitérios e funerárias;
  • Comunicação: rádio, TV, jornais e telecomunicações;
  • Agricultura e pecuária: produção de alimentos;
  • Comércio essencial: supermercados, padarias, postos de combustível e farmácias.

Esses serviços não podem parar. Mas mesmo nesses casos o trabalhador tem direito à folga em outro dia da semana. Já setores como lojas de roupas, bares de shopping e cafeterias só poderão abrir com acordo coletivo.

E nos feriados?

Nos feriados, a regra é mais rígida: só abre quem tiver convenção coletiva assinada.

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Um exemplo ajuda a entender:

  • Uma farmácia de bairro pode funcionar no Natal sem acordo, porque é serviço essencial.
  • Já uma loja de eletrodomésticos em shopping só abre se houver acordo coletivo.

Direitos do trabalhador

Mesmo quando o trabalho em domingos e feriados é permitido, algumas garantias não mudam. O funcionário tem direito a:

  • Folga em outro dia da semana (descanso semanal remunerado);
  • Pagamento em dobro, se não houver a compensação.

Isso significa que, se alguém trabalhar em um feriado sem receber a folga correspondente, deve ganhar o dia em dobro.

Por que isso gera tanta discussão?

Esse assunto não é de hoje. Desde a década de 1940, com a Lei nº 605/1949, já havia regras restringindo o trabalho em domingos e feriados, com exceções apenas para atividades que não podiam parar.

Nos últimos anos, o vai e vem da legislação aumentou a insegurança. Em 2022, no governo de Jair Bolsonaro, o comércio foi liberado para abrir sem convenção coletiva. Agora, a nova portaria volta a exigir negociação, devolvendo força aos sindicatos.

O que muda em 2026?

Em resumo:

  • Domingos: setores essenciais seguem funcionando; outros dependem de acordo ou compensação.
  • Feriados: comércio só abre com convenção coletiva aprovada e autorização municipal.
  • Exceções: saúde, transporte, segurança, comunicação e serviços funerários continuam liberados.

Impacto da nova regra

Para o trabalhador, a mudança pode significar condições melhores, como escala justa e pagamento adicional. Para os empresários, será preciso negociar mais, principalmente em datas de grande movimento, como Natal e Ano Novo.

Por outro lado, os especialistas dizem que a portaria traz segurança jurídica: evita brigas trabalhistas e dá clareza sobre quem pode ou não funcionar nesses dias.

No fim, o recado é esse

A prorrogação da Portaria nº 3.665/23 até março de 2026 dá tempo para que empresas e sindicatos se organizem. Mas a mensagem é clara: a partir dessa data, só abre em feriados quem tiver acordo coletivo.

No fim das contas, a mudança reforça um princípio básico: trabalho digno depende de diálogo, não de decisão unilateral.

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Jerffeson Leone

Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.