A Polícia Civil divulgou um alerta nacional sobre um novo golpe que vem se espalhando por várias regiões do Brasil. O detalhe mais preocupante é que os efeitos desse crime não aparecem de imediato: O perigo é que a vítima só percebe o estrago meses — ou até anos depois — quando o prejuízo já é enorme.
Como o golpe acontece
Uma organização criminosa têm se passado por representantes de programas sociais para enganar pessoas prometendo um benefício fácil. O que parece uma ajuda acaba se transformando em armadilha sem precendentes.
O esquema segue um roteiro eficiente: O criminoso se aproxima da vítima dizendo que ela foi contemplada com um benefício fácil — seja uma cesta básica, um vale-gás ou um auxílio para remédios de uso contínuo. Para liberar a suposta ajuda, pede documentos, cópias de identidade ou mesmo informações bancárias. As vítimas acreditam por de fato, eles entregam a cesta básica, vale de gás ou medicamento gratuito prometido.
Com esses dados em mãos, o grupo abre empréstimos, cria empresa de fachada para lavar dinheiro e chega a contrair dívidas em nome da vítima. O golpe é convincente porque os fraudadores usam uma linguagem semelhante à de programas sociais oficiais, mencionando nomes conhecidos e criando um clima de confiança, entregando o beneficio prometido.
Quem são as principais vítimas
O alvo preferido são idosos e pessoas de baixa renda, justamente quem mais depende de programas sociais e tem menos acesso a informações sobre o funcionamento oficial desses benefícios. Muitos só percebem o golpe quando o desconto do empréstimo aparece no benefício do INSS ou quando descobrem movimentações estranhas em suas contas bancárias.
A vulnerabilidade aumenta porque esses criminosos exploram a necessidade imediata. Em tempos de alta nos preços dos alimentos e do gás de cozinha, a promessa de uma ajuda extra é difícil de recusar.
Um dos casos descobertos pela polícia
O caso mais recente veio à tona no Espírito Santo, mas as autoridades já confirmam que o esquema se espalha por diversos estados. Três suspeitos foram presos e confessaram participação. O grupo se apropriava de documentos e informações pessoais para abrir empréstimos em nome dos beneficiários.
O delegado adjunto da especializada em defraudações, Jonathan Lana, destacou que os grupos funcionam como uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas: uns ficam responsáveis pela abordagem, outros pela coleta de dados e uma parte dedicada a fraudes financeiras. “Cada integrante cumpre uma função para que o esquema dê certo”, explicou em entrevista a TV Gazeta, afiliada da Globo.
O que dizem as autoridades sobre o golpe
Órgãos de segurança e assistência social reforçam que nenhum benefício é concedido diretamente na porta da casa do cidadão. Programas como cesta básica, vale-gás ou auxílios são intermediados por canais oficiais, como os CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) e CREAS municipais.
A orientação é clara: não forneça documentos pessoais a estranhos. A assistência social só visita residências em ações de acompanhamento familiar, e nunca para cadastrar ou entregar benefícios.
Como se proteger do golpe
- Desconfie de abordagens na rua ou em casa. Benefícios sociais não são entregues dessa forma.
- Nunca forneça RG, CPF ou dados bancários a desconhecidos.
- Em caso de dúvida, procure diretamente o CRAS ou CREAS mais próximo.
- Se notar algo estranho, contate imediatamente seu banco para bloquear movimentações e empréstimos.
- Registre boletim de ocorrência presencialmente ou pela Delegacia Digital, anexando comprovantes.
- Se souber de atuação criminosa, ligue para o Disque-Denúncia 181.
Vale o alerta
O grande trunfo desses criminosos é a desinformação. Muitas vítimas acreditam que programas sociais são distribuídos de porta em porta, quando, na prática, o cadastro e a avaliação acontecem apenas dentro da rede oficial de assistência. A melhor defesa é a informação correta: quanto mais pessoas souberem que esse tipo de abordagem é golpe, menor o espaço de atuação dos criminosos.





