Ir ao caixa eletrônico pode parecer uma tarefa corriqueira, mas para muitos pessoas essa rotina vem se transformando em motivo de preocupação. Casos recentes mostram que criminosos têm encontrado maneiras cada vez mais discretas de aplicar golpes.
Embora qualquer pessoa possa ser enganada, os alvos preferidos são pessoas acima dos 50 anos, em especial os aposentados e pensionistas do INSS. Isso acontece porque muitos enfrentam dificuldades com a tecnologia dos terminais e, diante de imprevistos, acabam confiando. O golpe recente vem fazendo milhares de vítimas em todo o Brasil. Entenda como ele acontece e saiba como se proteger.
O passo a passo do Golpe
1º passo do golpe: A cena costuma começar de maneira simples. O vítima chega ao caixa eletrônico, coloca o cartão na máquina e digita a senha para consultar o saldo ou tirar o extrato. Tudo parece normal, até que alguém se aproxima. Pode ser um homem de aparência comum ou até uma mulher, sempre com jeito de quem quer ajudar. Com voz firme, mas educada, o golpista avisa: “Esse caixa está bloqueado, não vai funcionar direito. Tenta colocar o cartão de novo.”
2º passo do golpe: Diante da insegurança, a vítima se sente pressionada. Afinal, está diante de um equipamento que muitas vezes já é difícil de usar. O golpista, então, se oferece para “resolver”. Pede licença, pega o cartão da mão do idoso e o insere novamente no terminal, como se estivesse realmente corrigindo o problema. Faz alguns movimentos rápidos, digita algumas teclas, balança a cabeça como quem entende do assunto e, por fim, devolve um cartão.
3º passo do golpe: O detalhe é que aquele cartão não é o mesmo. A troca acontece em questão de segundos, com uma naturalidade ensaiada. A vítima, aliviada por acreditar que o problema foi solucionado, guarda o objeto sem olhar direito e segue o dia tranquilo. O que ele não sabe é que, enquanto agradecia pela suposta ajuda, os criminosos já estavam de posse de seu verdadeiro cartão e da senha digitada minutos antes.

O caso de Seu Carlos
Foi o que aconteceu com o senhor Carlos, de 68 anos, em Teresópolis (RJ). Ele usava um caixa do Banco 24H dentro de um supermercado quando foi abordado. O suspeito, segundo relatos, tinha cerca de 40 anos, pele clara, cabelo preto, 1,60m de altura e usava camisa branca, calça jeans escura e tênis.
De maneira convincente, disse que o terminal estava bloqueado e que poderia ajudar. O idoso acreditou. Mais tarde, ao chegar em casa, percebeu que algo estava errado. Na verdade, quem notou primeiro foi a filha, ao verificar o aplicativo do banco: já haviam sido feitas movimentações suspeitas. Uma compra de R$ 1.999,00, além de dois saques — um de R$ 1.000,00 e outro de R$ 500,00. O cartão em posse do idoso era de uma mulher desconhecida.
Por que o golpe dá certo
A eficácia desse crime está na rapidez e na pressão psicológica. O idoso acredita que há um problema real e, inseguro, aceita a ajuda. No meio da confusão, não confere o cartão devolvido. Para os golpistas, isso basta. Locais movimentados, como supermercados e shoppings, aumentam ainda mais a chance de sucesso, já que a vítima tende a querer resolver logo a situação.
Como se proteger
A recomendação das autoridades é clara: nunca aceite ajuda de estranhos em caixas eletrônicos. Em caso de dificuldade, procure apenas funcionários identificados da agência ou, no caso dos caixas 24H, acione a central de atendimento do banco.
Outra medida simples é conferir o cartão imediatamente após a operação. Parece detalhe, mas pode evitar um enorme prejuízo financeiro.




