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Os motociclistas podem estar prestes a viver dias bem diferentes nas estradas brasileiras. Dois projetos que tramitam em Brasília chamam a atenção: um promete aliviar o bolso de quem usa a moto no dia a dia, enquanto o outro endurece as penalidades para quem insiste em desafiar as regras de trânsito.

E o curioso é que as duas mudanças caminham em direções bem diferentes. Enquanto uma delas pode trazer um grande alívio para o bolso de quem depende da moto todos os dias, a outra promete surpreender — e não necessariamente de forma positiva. Afinal, poucos motociclistas estão preparados para o que pode vir pela frente.

1- Pedágio zero para motociclistas

Imagine cruzar uma rodovia sem precisar se preocupar com a cobrança no pedágio. É exatamente isso que prevê o Projeto de Lei 2322/24. Pela proposta, todas as motocicletas — de uso particular ou profissional, como mototáxis e motoboys — ficariam isentas do pagamento.

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O responsável pela iniciativa é o deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA). Ele defende que a medida tem caráter social, já que grande parte desses veículos pertence a trabalhadores de baixa renda. Para o parlamentar, a moto se consolidou como alternativa acessível e econômica, e liberar o pedágio seria uma forma de aliviar despesas que pesam no fim do mês.

O texto ainda precisa passar por diferentes comissões na Câmara — entre elas, Viação e Transportes, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça. Só depois de vencer essa maratona é que seguirá para análise do Senado.

2- Andar na contramão ficará mais caro e com peso maior para motociclistas

Enquanto uma proposta agrada os motociclistas, a outra pode gerar polêmica. O Projeto de Lei 130/24, apresentado pelo deputado Marcos Soares (União-RJ), propõe dobrar a multa e classificar como infração gravíssima o ato de dirigir motos, motonetas ou ciclomotores na contramão.

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Pela regra atual, não há distinção entre carros e motos nesse tipo de conduta, e a infração é considerada apenas grave. A ideia, segundo o autor, é frear uma prática comum, principalmente entre profissionais que trabalham sob pressão de tempo, como os motoboys.

Esse projeto também tramita em caráter conclusivo, devendo ser examinado pelas comissões de Viação e Transportes e de Constituição e Justiça.

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Do alívio à punição

As duas propostas colocam o motociclista em um ponto de tensão: de um lado, a possibilidade de economia direta com a isenção de pedágios; de outro, o risco de enfrentar multas mais pesadas caso desrespeite as normas de trânsito. É como se a pauta fosse dividida entre reconhecimento e cobrança.

Para quem depende da moto como ferramenta de trabalho, a expectativa é clara: menos gastos significam mais fôlego no orçamento. Já no caso do endurecimento da lei, há quem enxergue como um alerta importante para reduzir acidentes, mas também quem critique o excesso de punições sem oferecer melhores condições de mobilidade.

O que vem pela frente

Ambos os projetos ainda têm um longo caminho até virarem lei. Mas, desde já, provocam debates. Afinal, as motos se tornaram parte indispensável da rotina nas grandes cidades e no interior. Entre aliviar custos e reforçar a disciplina no trânsito, as mudanças em análise podem redesenhar a vida de milhões de condutores.

No fim das contas, a mensagem é simples: o Congresso discute medidas que tanto podem ser recebidas como um alívio quanto como um novo desafio. Cabe agora acompanhar os próximos passos e ver qual será o peso dessas propostas no dia a dia de quem vive sobre duas rodas.

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Jerffeson Leone

Jerffeson Leone possui ampla experiência na área de comunicação. Atuou na Rede Internacional de Televisão (MT) e foi diretor e redator do portal Informe Brasil. Atualmente, exerce o cargo de Diretor Executivo e Editor-Chefe do portal N1N, onde lidera a equipe editorial.