Pouca gente questiona, mas quase todo mundo já passou pela situação: na hora de pagar na farmácia, o atendente pede o CPF. O motivo geralmente vem acompanhado de uma promessa de desconto, mas agora o Procon acendeu o alerta e trouxe dados preocupantes. O orgão alertou para a desinformação sobre preços e uso de dados pessoais na compra de medicamentos. Entenda por que as farmácias pedem o seu CPF.
Segundo uma pesquisa realizada entre maio e junho, 86% dos consumidores afirmam não saber como seus dados pessoais são usados após serem informados nos balcões e sistemas das drogarias.
Esse levantamento contou com 1.378 participantes e revelou não só a falta de clareza sobre a coleta de dados, mas também sobre algo fundamental: os preços máximos dos medicamentos, que são tabelados pela Anvisa. Ou seja, muitos pagam mais caro sem sequer saber que existe uma referência oficial.
Por que as farmácias pedem o CPF?
De acordo com o Procon, as redes afirmam que a solicitação serve para aplicar descontos. No entanto, a instituição alerta que a explicação não pode parar por aí. É dever do estabelecimento informar se os dados são compartilhados com laboratórios, convênios médicos ou até redes hospitalares.
A Lei Geral de Proteção de Dados garante ao consumidor o direito de saber onde, como e por quanto tempo suas informações são utilizadas. Se há monetização ou troca de dados, o cliente deve ser informado de forma clara e transparente.
O recado do Procon é direto: não hesite em perguntar e exigir explicações sempre que for solicitado o CPF. O consumidor tem direito à informação e deve utilizá-lo para proteger sua privacidade.

Procon alerta sobre os preços dos medicamentos
Outro ponto que chamou atenção no levantamento foi o desconhecimento sobre o Preço Máximo ao Consumidor (PMC). Criado pela Anvisa com base na tabela da CMED, esse mecanismo estabelece um teto para a venda de medicamentos no país.
Mesmo assim, os números preocupam:
- 74,8% dos consumidores não sabiam que os preços dos medicamentos têm limite regulado;
- Entre os que conhecem o PMC, 24,8% não sabem como consultar a tabela oficial;
- 40,5% acreditam que não há informações suficientes para uma compra consciente.
Esses dados mostram que, além da questão da privacidade, existe um desafio de transparência econômica: consumidores mal informados acabam pagando mais caro e abrindo mão de direitos que já existem.
O que o consumidor deve fazer?
- Perguntar sempre: ao fornecer o CPF, exija saber como seus dados serão tratados.
- Consultar preços: use a tabela da Anvisa como referência para evitar cobranças abusivas.
- Exigir clareza: descontos são um atrativo, mas não podem servir como moeda de troca para informações pessoais.





