Um posto de combustíveis passou a vender gasolina a R$ 3 o litro nesta quarta-feira (28). O preço chamou a atenção de brasileiros, moradores e taxistas de Pacaraima, no Norte de Roraima, que atravessaram a fronteira e formaram filas para abastecer.
A venda acontece em um posto internacional localizado em Santa Elena de Uairén, cidade venezuelana colada ao território brasileiro. A diferença de preço pesa no bolso. Em Pacaraima, o litro custa cerca de R$ 7,80. A economia chega a R$ 4,80 por litro, valor considerado alto para quem depende do carro todos os dias.
Limite de abastecimento preocupa motoristas
O presidente da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, Eduardo Oestreicher, disse ao g1 que o posto impôs um limite de 20 litros por veículo. A regra tenta garantir o atendimento ao maior número possível de motoristas.
Segundo ele, o funcionamento ainda gera incertezas. A estrada que liga a região enfrenta más condições, o que dificulta a chegada de caminhões-tanque. Sem esse transporte, o fornecimento corre risco. Mesmo assim, a expectativa entre comerciantes e motoristas segue positiva.
Estrutura do posto e reservas de petróleo
O posto conta com quatro bombas de abastecimento e exibe na fachada o nome da PDVSA, estatal de petróleo da Venezuela. O país concentra cerca de 17% das reservas comprovadas de petróleo do mundo, com mais de 300 bilhões de barris, segundo dados oficiais.
Taxistas comemoram economia no dia a dia
O taxista brasileiro Adriano Palhares, que trabalha em Pacaraima, chegou ao local por volta das 15h desta quarta-feira. Ele explicou que o posto calcula o valor do combustível em dólar e faz a conversão para real no momento do pagamento, o que resulta nos R$ 3 por litro.
De acordo com Adriano, o posto reabriu na manhã desta quinta-feira (29) e segue em funcionamento normal para brasileiros e venezuelanos. A formação de filas continua. Para ele, o cenário traz alívio aos condutores que enfrentam altos custos com combustível.
Outro taxista relatou que abasteceu 18 litros por R$ 54, valor quase três vezes menor do que pagaria em Pacaraima. Apesar da economia, ele prefere cautela. Ninguém confirma se a venda seguirá de forma contínua, mas a expectativa permanece.
Contexto recente na região
O movimento contrasta com o clima de tensão registrado na primeira semana de janeiro de 2026. Na ocasião, os Estados Unidos realizaram um ataque contra a Venezuela, com explosões no país e a captura do então presidente Nicolás Maduro e da esposa dele, levados para os EUA.
Agora, ao menos por enquanto, o destaque na fronteira gira em torno do combustível barato e das filas que cruzam a linha entre os dois países.





