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A execução de três técnicos de internet no bairro do Alto do Cabrito, em Salvador, na noite de terça-feira, 16, expôs mais uma vez a atuação violenta de facções criminosas sobre serviços essenciais. O crime, marcado pela brutalidade, colocou sob os holofotes um esquema de extorsão atribuído ao Comando Vermelho, já conhecido em outras regiões do país.

Como o esquema funciona

Um representante do setor de telecomunicações, que pediu anonimato, relatou ao portal A tarde, que o Comando Vermelho passou a operar em Salvador e na Região Metropolitana com um modelo semelhante ao adotado em comunidades do Rio de Janeiro. A facção cobra taxas para permitir a atuação de provedores de internet em áreas sob seu controle. Essas taxas recebem o nome de pedágio.

Ainda segundo o portal A Tarde, o grupo exige o pagamento mensal de R$ 15 por cliente atendido. A cobrança não parou aí. Os criminosos também passaram a exigir 40% do lucro anual das empresas, um valor que inviabiliza a operação de pequenos e médios provedores.

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O relato ajuda a entender por que a disputa pelo controle do serviço de internet virou um negócio estratégico para o crime organizado. O acesso à rede garante renda constante e amplia o domínio territorial das facções.

Morte dos trabalhadores em Salvador

Informações divulgadas pela imprensa indicam que traficantes mataram os trabalhadores para forçar a saída de empresas de internet da localidade e, assim, assumir o controle do serviço. Até o momento, essa motivação não foi confirmada oficialmente, mas a hipótese segue no centro das apurações.

Por volta das 18h, criminosos levaram os três técnicos para uma área usada por traficantes como local de execuções e desova de corpos. Os trabalhadores não tinham qualquer ligação com atividades criminosas. Os autores do crime executaram as vítimas ainda com as fardas de trabalho, mantendo mãos e pés amarrados.

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As  trabalhadores foram identificadas como:

  • Ricardo Antônio da Silva Souza, 44 anos
  • Jackson Santos Macedo, 41 anos
  • Patrick Vinícius dos Santos Horta, 28 anos

Empresa se manifesta e diz que não recebeu qualquer contato, pedido de resgate ou cobrança para permitir o acesso de equipes à localidade

A Planet Internet, empresa para a qual os trabalhadores prestavam serviço, divulgou uma nota lamentando a morte dos colaboradores e informou que está prestando apoio às famílias. A provedora afirmou viver um momento de “imensa dor” e manifestou solidariedade a amigos e colegas das vítimas.

“Com profundo pesar, a Planet Internet lamenta o triste ocorrido e falecimento de alguns dos nossos colaboradores. Neste momento de imensa dor, nos solidarizamos com os familiares, amigos e colegas, desejando força, conforto e serenidade para atravessar essa perda irreparável. Eles deixam uma trajetória marcada por dedicação, companheirismo e contribuição importante para todos nós. Que suas memórias permaneçam vivas em nossos corações. Que Deus traga conforto a todos”, disse em nota.

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Em um segundo comunicado, a empresa declarou que não recebeu qualquer contato, pedido de resgate ou cobrança para permitir o acesso de equipes à localidade. A Planet informou ainda que colabora com as investigações conduzidas pelas autoridades.

“A Planet Internet encontra-se consternada com o ocorrido e vem prestando todo o apoio necessário às famílias dos funcionários. Destaca, ainda, que em momento algum, a empresa foi contatada, por quem quer que seja, muito menos, recebeu qualquer pedido de resgate ou de pagamento para acesso de suas equipes à localidade em questão”.

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